A COVID-19 na Grécia

Cláudia de Vasconcelos

2020 vai ser, sem dúvida, o ano mais marcante das nossas vidas.

Estávamos em finais de Fevereiro, eu no meu mais recente trabalho, aquele que me tinha trazido aqui, quando surgiu, nas notícias, o primeiro caso COVID-19 na Grécia.

Como tudo começou…

26 de Fevereiro de 2020, uma mulher infectada na cidade de Thessaloniki.

Até ao dia 11 de Março, dia em que foi declarada a pandemia global, íamos vivendo numa constante nuvem de questões e incertezas quanto ao futuro.

Até 23 de Março, um plano de encerramento gradual de serviços foi desenhado e iniciava-se um lockdown por tempo indeterminado.

Um serviço de SMS foi desenvolvido para que cada cidadão informasse o governo qual a sua razão para estar na rua, e estas razões estavam limitadas a ir ao médico, banco, farmácia, supermercado e ginástica…

Quem comigo priva, sabe o quanto brinco quanto ao desenvolvimento tecnológico grego e sua burocracia, pelo que fiquei bem admirada quando vi no espaço de uma semana todos os serviços públicos tornarem-se online e o número de papéis necessários reduzidos.

Em meados de Maio, terminava o lockdown. O turismo reabriu e em Junho terminou a obrigatoriedade do uso da máscara em contexto de ar livre, contudo a 31 de Outubro retomávamos o lockdown que perdurou até 14 de Maio de 2021, dia em que voltaram a abrir o país ao turismo e desde 25 de Junho não é obrigatório o uso da máscara em locais ao ar livre.

Durante os lockdowns houve sempre recolher obrigatório que foi variando ao longo do tempo consoante o número de casos que apareciam.

E quantos casos?

Ao nível dos casos, não sei se pela distribuição geográfica dos habitantes em ilhas e não tudo concentrado no mesmo território, a Grécia teve, ao início, relativamente poucos casos quando comparada com países com a mesma densidade populacional.

Havia dias com números de novos casos inferiores a 200 e o número de mortes inferior a 10.

Contudo, o caso mudou de figura em Janeiro de 2021, em que o número de novos casos foi superior a 20 mil, e, até à data, destaco os meses de Abril, Maio e Junho em que o número de novos casos foi superior aos 70 mil.

Já ao nível das mortes, destaco Abril 2021 como o pior mês atingindo os 2288 mortos.

Ao todo terão sido infectadas 450 512 pessoas e morrido 12 819.

O comportamento dos cidadãos

Apesar de no primeiro lockdown terem surgido algumas notícias relativamente a infracções cometidas pelos cidadãos, pode se dizer que a população apresentou um comportamento colaborativo, à excepção do período da Páscoa de 2020 em que a Igreja Ortodoxa pretendia continuar as celebrações, acto que não aconteceu.

Quanto ao segundo lockdown, não podemos dizer o mesmo.

Foram várias as notícias de festas interrompidas pelas autoridades, quer em casas, quer na rua.

Mas atingiu-se um ponto de saturação social e económico de tal ordem, que nem os cidadãos nem as autoridades parecem muito preocupados.

Vacinação

A minha experiência com a vacinação foi muito positiva.

Foi desenvolvida uma plataforma online para marcação das reservas, onde ao marcar a primeira dose, a segunda ficava automaticamente disponível.

Pela distância entre datas, era possível perceber-se qual a marca da mesma e confirmar ou não se a queríamos marcar.

Todas as marcações são confirmadas por email e SMS e à saída do consultório na segunda dose, recebi o alerta  de que no dia seguinte poderia emitir o certificado europeu da vacina.

Atualmente a Grécia terá administrado 10 127 435 vacinas.

Todos os dados estatísticos foram retirados do site WHO e do gtp.gr .

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