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À procura de uma vida “melhor”

Helena Gomes

No dia 23 de Agosto de 2017 abracei o DESAFIO da minha vida. Vim para Genebra juntar-me ao meu marido que já cá estava há 5 anos… Vim cheia de medos, dúvidas e ansiedade, à procura de uma vida melhor.

O meu ânimo à chegada

No meu íntimo não conseguia encontrar forças para pensar que esta mudança seria benéfica para mim. A única coisa que me fazia avançar era pensar que estava a fazer o melhor para as minhas filhas e para o meu marido, mas não para mim!

Eu deixei uma vida profissional para trás, família e amigos e, convenhamos que mudar aos 40 não é propriamente a mesma coisa que mudar aos 20. Esta mudança para as minhas filhas foi fabulosa, adaptaram-se muito bem e embora tenham saudades da família já consideram a Suíça como o seu país. Já a mãe anda numa luta diária com a adaptação e julgo que esta luta não tem término à vista… embora vá com regularidade a Portugal respirar e tenha os meus pais a fazerem-me várias visitas, sinto que nunca mais serei completa. Tiraram-me o chão…

O meu ânimo passado dois anos.

Mesmo estando a trabalhar no mesmo ramo que em Portugal, não me consigo enquadrar neste país… embora me desenrasque muito bem com a língua as falhas que possam existir deixam-me muito insegura para socializar.

Não sei se será um entrave meu, ou se realmente as pessoas é que não me põe à vontade com a sua distância. sinto uma dor constante por pensar que trabalho imensas horas e não estou a acompanhar as minhas filhas como devia (pois a ajuda de terceiros aqui é nula) sinto-me culpada porque os meus pais estão a envelhecer e tenho receio de não estar com eles quando mais precisarem de mim.

Gostava sinceramente de tentar perceber e ouvir as vossas histórias de como ultrapassaram a adaptação… pois eu ando de coração partido há 2 anos e todos os dias a encontrar força e motivação para continuar sem baixar os braços.

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7 comentários em “À procura de uma vida “melhor”

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  1. Olá Helena, muito obrigada pela sua partilha. Como a Helena existem muitas mulheres que têm dificuldade em reencontrar-se quando mudam de país e de realidade.
    Perceber que podemos ser nós próprias quando a nossa vida se transforma completamente não é fácil. Mas é possível!
    Trabalho com mulheres expatriadas para que se possam sentir novamente realizadas e plenas e todos os dias me deparo com histórias como a sua.
    Muitas vezes estas mulheres anulam-se e passam para 2o ou 3o planos… mas não tem de ser assim!

    Terei todo o gosto em falar consigo e quem sabe ajudá-la. Esteja à vontade para contactar comigo.
    Joana Duque
    Joanaduque.coaching@gmail.com
    Whatsapp: +351962565385

  2. Ola! Temos vários pontos em comum. Também vim juntar-me ao meu marido. Enquanto que ele chegou já com um projeto profissional definido, com contrato assinado. Eu sou apenas a esposa do expatriado! Depois de quatro anos aqui, não consegui retomar a minha atividade profissional, não por opção, mas porque não consigo encontrar algo que possa conciliar com as minhas competências e com os meus filhos. Já domino a língua, o francês, mas deparei-me com uma sociedade fechada, conservadora, “pouco adepta” de estrangeiros ( não estava preparada para lidar com os estereótipos sobre os estrangeiros). Para conseguir socializar um pouco, faço voluntariado, uma vez por mês, numa associação. De resto, passo a vida nas idas e vindas da escola. O lado positivo é que tenho mais tempo para eles. O lado negativo é o desgaste, o cansaço, porque não há ajuda de terceiros e pelo facto de passarmos apenas a viver para os outros e vamos-nos esquecendo de nós próprias.

    1. Filipa, obrigada pelo seu testemunho. Também estou na situação da Filipa, mas ja sigo o meu marido a dez anos! e ja mudei de pais 3 vezes.
      se quiser ficamos muito contes que partilhe as suas experiência nesta plataforma.
      beijinho Teresa

    2. Joana e Filipa, muito obrigada pelas vossas palavras de apoio. Neste momento decidi começar a fazer algo por mim… decidi ser um pouco egoísta e no meio desta confusão toda que é a minha vida decidi iniciar um curso como terapeuta de hipnose… algo que sempre me apaixonou, entender como funciona o inconsciente das pessoas.
      Espero que este curso me dê também algumas ferramentas para lidar melhor com a ansiedade e a encarar a vida de outra forma. Beijinhos

  3. Ola Helena.
    Obrigada pela coragem e por este levantar de véu que muitas de nós sentimos.
    Eu também me mudei aos 40, também vim ter com o meu marido, também foi excelente para o meu filho que diz agora que Portugal é o sítio das férias. Para mim também foi mais difícil. O que facilitou e me permite ser feliz na Alemanha:
    – tenho cá família que nos abriu as portas e o coração e estão em fases muito semelhantes de vida (os nossos filhos são colegas de turma)
    – arranjei um trabalho excelente e adoro o que faço. Implica alguns sacrifícios na família mas se a mãe não está feliz ninguém está feliz.
    – fiz amigos onde trabalho, a grande maioria são expatriados portanto todos nós entendemos.
    – tornamo-nos uma equipa muito unida. Somos os 3 contra o mundo.
    – a vida era boa em Portugal, continuo muito ligada socialmente a Portugal mas a vida aqui é muito melhor. Conseguimos todos evoluir e ter outras oportunidades.
    Tudo isto foi alcançado com sorte e força de vontade.
    Encontrar o que a faz feliz acredito que é o caminho, mais do que o sítio onde está!

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