Voltar para Portugal

Hugo Barbosa

Quando voltas para Portugal?… Voltar para Portugal, a questão que nos colocam constantemente!

Acredito que não há emigrante, português, que não tenha de responder a esta pergunta… vezes e vezes sem conta… de cada vez que encontra um familiar, um amigo, ou conhecido.

Uma pergunta que, por simplicidade, e para evitar ofender alguém, me habituei a responder de forma quase mecânica: “Bem… não sei… por agora não penso nisso!”

O que me faz sentir esta pergunta?

Confesso que é uma pergunta de que não gosto especialmente!..

Não pela pergunta em si, mas pela mensagem subliminar, uma espécie de convicção não revelada, que muitas vezes intuo em quem a faz: a de que quem emigra o faz como último recurso de vida… quase como que um sacrifício… do qual, a cada dia, se vive sonhando libertar-se! 

Pois não!… 

Hoje já não é assim!… 

Talvez o tivesse sido para muitos… há muitos anos!… Se bem que mesmo então não o seria para todos!

Mas, hoje, já não é assim!… 

Porque a maior parte de nós emigra hoje?

Portugal não é perfeito, mas já não é esse país atrasado do qual era necessário sair para evitar a miséria… ou de onde fugir era a única alternativa a uma mobilização forçada para uma guerra incompreensível!…

Portugal não é perfeito, mas é, hoje, um país onde nascer pobre já não é, regra geral, uma sentença de pobreza eterna!…

Portugal não é perfeito, mas é, hoje, um país onde se pode viver com dignidade, é verdade que sem ficar rico, a partir do próprio trabalho.

Para além disso, Portugal é um país único… talvez com o melhor clima da Europa e, seguramente, com os melhores sabores europeus venham eles da terra ou do mar… tenham eles forma sólida ou liquida!

Não há, por isso, nada do que fugir aqui!…

No nosso caso… quando decidimos emigrar tínhamos uma optima vida em Portugal!… 

Afinal porque eu e a minha familia aceitamos a emigração

Eu trabalhava para a mesma empresa em que trabalho hoje… tinha aquilo a que muitos chamariam “uma boa posição”, e tinha boas perspectivas de progresso a curto e médio prazo.

A Luísa (minha mulher) trabalhava num sítio que adorava e com colegas que a faziam querer ir trabalhar a cada dia. 

Os nossos filhos estavam perfeitamente enquadrados na nossa comunidade local e tínhamos, ainda, a proximidade e apoio de pais, irmãos, amigos e demais familiares.

Quem fugiria disto?

Pois está claro…

Nós não emigramos para fugir!…

Emigramos para viver a experiência de morar em sítios diferentes… conhecer outras culturas… dar aos nossos filhos “o mundo” que nunca teriam se não saíssem “do ovo”!

Emigramos para crescer enquanto pessoas e enquanto família…

E sim, emigramos porque era uma oportunidade de trabalhar em contexto internacional com um alcance e impacto que dificilmente poderia almejar continuando em Portugal!…

Voltar para Portugal, sim ou não?

Assim, voltar para Portugal não é um objectivo!…

Regressar a Portugal é uma possibilidade como qualquer outra!…

Quando saí de Portugal fui trabalhar e viver na Suíça… hoje vivo em Espanha… e o meu próximo destino não tem nome nem data marcada!…

O meu próximo destino será onde e quando a oportunidade se conjugue com o próximo sítio certo para viver!…

E… se for em Portugal, assim será! 

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7 comentários em “Voltar para Portugal

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  1. Olá Hugo, não poderia concordar mais com essa visão do nosso país 👏. Felizmente, hoje podemos estar e viver experiências lá fora, sem ser pelo motivo de “fugir” de algo.

  2. Creio serem poucos os emigrantes portuguese que falam assim de Portugal, talvez porque os motivos que os levaram a emigrar sejam diferentes.
    Mas tens razão, hoje Portugal é um país diferente, não é perfeito mas é um país melhor.
    Já podemos dizer que, com todos os seus defeitos e com muitos aspetos a melhorar, Portugal é um vom país para se viver!
    Viva Portugal! Vivam os portugueses!

    1. Gostei bastante da tua partilha e estou de acordo contigo. No nosso caso havia trabalho mas a sensação de pequenez de mente (vivíamos no Algarve, que adoramos , mas cujo meio pequeno tornava-se ainda mais pequeno com mentes pouco abertas, com todo respeito e carinho que tenho pelos algarvios, os baixos ordenados, e falta de progressão na carreira, o já ter tido vida de emigrante mais nova, pais nascidos nas Africas, as tantas aventura escutadas, etc tudo aumentava mais o desejo de explorar com os nossos filhos o mundo. Muito recentemente parte da familia acába de regressar por agora. O futuro ninguém sabe, mas a vontade de continuar a explorar outras vivências é grande. A sensação de pequenez continuo a sentir apesar de agora estar pela área de grande Lisboa. Adoro o meu país e vive-se hoje com muito mais qualidade. Temos de tudo e é bom. Mas o bicho de emigrante continua por cá.

  3. Eu tinha 30 anos quando emigrei para Bruxelas, tendo um emprego permanente e bem pago, emigrei para Bruxelas a não fugir, entusiasmada pelas novas oportunidades que traria. E Trouxe, muito sucesso e reconhecimento profissional, acompanhado do equivalente sucesso financeiro, experiência que adquiri e experiência em que participei, que nunca seria possivel em Portugal.
    Até aos 10 anos de ca viver, foram momentos muito felizes e prósperos. No entanto, após, e principalmente os quatro anos seguintes, apesar de nada ter mudado, não conseguia tirar a mesma energia, prazer, objectivo do que fazia e sentia que a minha vida estava vazia. Depois de muita reflexão, realizei que o que me entristecia era não ester ativamente presente na vida do meu pai, enquanto definhava, que não o ajudava a calçar os sapatos ou a pentear o cabelo.é assim morreu, eu vivendo ca, indo o mais possível para o ver. E não só na vida do meu pai, de todos os que amo, o não estar presente nos momentos mundanos. O que mudou em mim foi a força por detrás de meu ego, do meu coração, o que achava durante muito tempo que era a realização profissional, quando lá cheguei choquei quando me apercebi que para mim não era, mas sim o Ego do coração, o que me permitir mas depressa, voltar e estar perto dos pertencem ao meu coração. A essa resposta, digo sempre: o mais cedo possível, mas nunca mais que dois anos.

    1. Obrigado pela sua partilha Joana Lomelino… efectivamente o estar “longe dos nossos” é o mais difícil… pela minha parte tento combater com viagens bastantes frequentes a Portugal… que o dinheiro não é tudo!

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