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Viagens para a minha terra! (2)

É uma verdadeira empreitada fazer cerca de 2500 Km por esse mundo fora,
este ano com alguma apreensão devido à situação especial da pandemia.
Chegar à primeira fronteira (no meu caso é a da Alemanha com a Bélgica) é
sempre um marco (25% das fronteiras cumpridas, já só faltam 3! Vamos a
isto!).
Entrar em Paris é uma boa sensação de alguma proximidade, ainda que falte mesmo “muuuuiiiito” e é familiar constatar que a cidade é sempre aquele caos de trânsito (já a atravessei em horários diferentes mas nunca consegui fazê-lo sem parar numa qualquer fila). Pernoitei em Tours que é uma cidade muito simpática, que infelizmente desta vez não pude apreciar devidamente porque já cheguei a horas impróprias e o único desejo era mesmo dormir para no dia seguinte seguir viagem!
E assim foi, 7 da manhã e o objetivo era chegar a Bordéus até às 11h…pois, não foi bem assim…e depois de Bordéus continuou sem ser assim porque parecia que a França inteira queria ir para Biarritz!
A entrada em Espanha acabou por acontecer apenas muito próximo das 17h, depois de algumas promessas a mim própria de que nunca mais volto a fazer a viagem de carro! (estas são as promessas que não são para cumprir realmente…)
Gosto muito da entrada em Espanha pela monumentalidade dos Pirinéus do
Atlântico e pelo constraste incrível que existe posteriormente com a aridez
espanhola que se espalha ao longo do país.
Atravessei uma Espanha que parecia estar ali só para mim, deserta, com um
pôr do sol incrível e ainda sem a certeza de que chegaria naquele dia ao Porto mas a primeira placa que te anuncia que estás a dirigir-te para Portugal dá-te muito alento para acreditares que já irás dormir a Portugal!
Parei numa estação de serviço espanhola poucos quilómetros antes da
fronteira portuguesa – precisava de reforçar os níveis de cafeína e também não resisti ao aspeto maravilhoso de uma tortilha que me estava a espicaçar o apetite…
A sensação de ver a placa que te anuncia que estás em território português é incrível, acho que é um sentimento que só os emigrantes podem compreender na sua plenitude. Conheço emigrantes que vivem num permanente estado de saudosismo. Eu não pertenço a esse grupo mas mesmo assim não consigo não ficar emocionada quando a vejo. Curiosamente, poucos minutos depois, o Rui Veloso obriga-me a prolongar a nostalgia e a humedecer ainda mais os olhos “quem vem e atravessa o rio…”
É a última etapa da minha viagem, já deixei Trás-os-Montes e o Minho para
trás, já estamos no Douro Litoral.
A cadelinha também sente que estamos perto, espreita-me da mala do carro e parece avisar-me para não carregar demasiado no pedal “vê lá se cumpres o limite de velocidade, depois de 2500 Km de viagem não queres ter um acidente em Ermesinde, pois não?” e pelo sim, pelo não volta para a caixa de transporte dela…
A placa que me indica “Porto Centro” já se vê ao fundo, ligo ao meu marido a dizer que preciso de 5 minutos e ouço-o a dizer aos miúdos que estou a chegar.
Já estou mesmo muito pertinho, desço a Rua de Camões e não resisto aos
Aliados. É um Porto muito diferente de outros anos para um sábado à noite às 2h da manhã. Subo a Trindade, estou agora a uns 100 metros de casa. A noite está incrível, quente, há pouca gente nas ruas mas os poucos que há fazem alguma festa. Na varanda do nosso apartamento vejo-os aos 3, relaxados, a festejarem a nossa chegada!
Estou finalmente em casa!

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