Somos os amigos que vivem no estrangeiro

Joana Duque

No outro dia, uma amiga que vive na Austrália (e que conhece o meu trabalho e paixão) partilhou comigo um texto que, no fundo, era um desabafo de alguém que tinha emigrado e que sentia falta dos seus amigos. Recordei-me logo da minha experiência como emigrante (ainda como estudante) assim como o mesmo sentimento.

Quando vivi na Finlândia o que mais me surpreendeu (pela negativa entenda-se) foi a velocidade com que a nossa ausência no país de origem passa a ser considerada normal pelos nossos amigos (não todos felizmente!). No início, os amigos ligam ou mandam emails a toda a hora. Querem saber novidades e peripécias! Mas essas chamadas ou emails começam a espaçar no tempo cada vez mais até que passam a ser uma exceção.

Numa altura em que cada dia é uma novidade, cada dia é uma conquista ou às vezes um desespero, podermos comunicar e partilhar o que estamos a viver com os “de casa”, é um conforto, e quando não acontece é uma desilusão…

Sentimentos variados que não sabemos como decifrar…

Atualmente vivo em Portugal, mas uma das minhas melhores amigas é expatriada. Na verdade, é por causa dela que decidi abraçar esta paixão de fazer processos de coaching com expatriadas pois acredito que o processo de adaptação dela foi um bocadinho mais fácil pela minha presença (ainda que à distância), pela minha energia e pelas minhas estratégias. A minha bandeira neste caso é que ninguém tem de passar por este processo sozinho!

Sei a falta que faz ter os amigos por perto, sei que ninguém nos diz (antes de emigrarmos) que as pessoas se habituam à nossa ausência, até porque provavelmente pensam “Ela é que emigrou” como se fosse culpa de alguém… Sei disso tudo, já senti na pele e já senti por outros, amigos e clientes.

O sentimento de tentar compensar quem ficou…

Ser o amigo que vive no estrangeiro pode ser uma experiência muito emocionante e enriquecedora, mas também pode ser, por vezes, muito desafiadora. É normal sentirmo-nos um pouco perdidos durante esta mudança, sem saber como decifrar aquilo que estamos a vivenciar…

Atualmente vivo em Portugal, mas uma das minhas melhores amigas é expatriada. Na verdade, é por causa dela que decidi abraçar esta paixão de fazer processos de coaching com expatriadas pois acredito que o processo de adaptação dela foi um bocadinho mais fácil pela minha presença (ainda que à distância), pela minha energia e pelas minhas estratégias. A minha bandeira neste caso é que ninguém tem de passar por este processo sozinho!

Sei a falta que faz ter os amigos por perto, sei que ninguém nos diz (antes de emigrarmos) que as pessoas se habituam à nossa ausência, até porque provavelmente pensam “Ela é que emigrou” como se fosse culpa de alguém… Sei disso tudo, já senti na pele e já senti por outros, amigos e clientes.

Por tudo isto, acredito que é essencial termos uma base sólida, ainda que recente, de amigos no lugar onde emigramos. Alguém que seja o nosso ombro amigo, que sinta e viva as mesmas situações e que nos tente apaziguar a tão nossa e bem portuguesa, saudade.

O sentimento de tentar compensar quem ficou…

No entanto, quero referir uma coisa muito importante e que acho indispensável: não tem mal e é totalmente legítimo sentirmo-nos em casa, longe de casa. Não temos de ter aquele sentimento de reprimir felicidade, ou de sentirmos que não merecemos estar a viver aquilo que idealizamos longe dos nossos. Termos a oportunidade de vivenciar algo assim, que corresponda totalmente às nossas expetativas, e fora da nossa zona de conforto, é maravilhoso.

O que devemos reter é que aqueles que nos são queridos e que realmente nos querem bem e fazem questão de saber como estamos, farão esses esforços. O longe, faz-se perto… Basta querer! É ótimo quando nos sentimos em casa, longe de casa.

É normal sentirmos que devemos “compensar” quem ficou no nosso país natal, com a nossa presença constante quando estamos perto, com mil e um planos marcados nas nossas férias. Tentamos chegar a toda a gente, num curto espaço de tempo.

Acredito que o mais importante é mantermo-nos presentes, mesmo que à distância de um click. Tentarmos conciliar planos, mas sem nos levarmos à exaustão, fazer um jantar com os amigos, a família… sobretudo com aqueles que percebam realmente a nossa vida e que nos querem bem e felizes.

Será que nos sentiremos sempre assim?

Somos os amigos que vivem no estrangeiro

Por isto tudo, decidi fazer esta partilha e esta reflexão. Quem parte para longe, tem um trabalho acrescido de fazer novos amigos e consolidar os que ficam. Não faz mal ficarem em menor quantidade pois aqueles que fazem connosco este caminho (mesmo que longe) são amigos que estejam em Portugal, no Brasil ou na Austrália estão à distância de um whattsapp e ficarão connosco para sempre!

A distância ajuda-nos a relativizar tudo e a apurar também! Porque neste caso é tão verdade que o importante é a qualidade e não a quantidade…

Por isso, não, não nos sentiremos sempre assim! A vida, e o caminho, tratarão de nos mostrar aquilo que realmente importa.

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