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O Luxemburgo, espírito de comunidade

António Valente

Os espetáculos no Luxemburgo

A nível cultural o Luxemburgo é um Oásis! Infelizmente sub aproveitado pela nossa comunidade. O Luxemburgo tem excelentes museus e variadas exposições com com entrada livre, vários dias por ano. Tem ainda vários castelos, alguns classificados como dos mais bonitos do mundo (exemplo o castelo de Vianden). No verão existem muitos concertos ao ar livre, gratuitos, com presença de artistas de renome internacional. Na sala de espetáculos Rockhal são dados concertos ao vivo com uma animação fantástica e muito variada. No mês de Julho na parte baixa da cidade, património da Unesco, é realizado um “rali” de Jazz com músicos de todos os cantos do mundo, são em geral cerca de 60 concertos gratuitos. Recomendo vivamente esta festa popular com cerca de 30 mil pessoas.

Turismo, muito para explorar…

A nível de turismo o Luxemburgo tem muito para explorar. Tem três parques naturais, deixo como exemplo o Mullerthal Park situado numa região muito rica e magnífica de santuários pedestres. São cerca de 130 Km numa zona que há três milhões de anos era banhada pelo mar Jurássico e que deixou marcas incríveis. Eu organizo passeios de descoberta para os recém chegados ao país e todas as nacionalidades são bem vindas. Considero-me um embaixador e cicerone Português no Luxemburgo, mostrando o que de mais belo existe neste pedaço do céu na terra. Também desenho roteiros turísticos para os Luxemburgueses que querem conhecer o nosso belo Portugal.

O Luxemburgo, espírito de comunidade
Passeio de descoberta

No inverno o Luxemburgo é triste as árvores ficam depenadas mas com a primavera e verão tudo muda tornando-se se num autêntico jardim. Quase 70% do país é considerada zona verde, existem pequenas aldeias no norte muito pitorescas (Esch-sur-Sûre, Vianden, Clervaux, Larochette) temos também o Park natural de L’Our com lagos e praias fluviais e excelentes lugares para caminhar.

Integração na comunidade

A integração neste país depende de quem chega, somos nós que temos que dar o primeiro passo, os Luxemburgueses dizem ser frios e fechados mas nós Portugueses com o nosso calor humano conseguimos quebrar essas barreiras.

Há quinze anos atrás, quando a minha casa estava em construção, numa zona onde iria ser o único estrangeiro na rua, tinha dificuldades em obter um bom dia dos vizinhos. Mas não desisti e passados seis meses comecei a receber sorrisos.

Quando me mudei, abri a casa e convidei todos os vizinhos da rua para um churrasco, quebrando as barreiras existentes e criando laços de amizade que perduram até hoje. Sempre que me ausento do país são os vizinhos que olham pela casa cortam a relva regam as plantas e vice-versa. Há um real sentido de comunidade, em que mesmo quando as crianças tinham uma dificuldade na disciplina de Alemão a vizinha que é professora sempre estava disponível para ajudar. O mesmo acontecia com situações de maior urgência, como quando as crianças ficavam doentes e tinha necessidade de uma ajuda médica. Nesta comunidade, batia à porta de um vizinho medico e logo se disponibilizava a ajudar.

Com o tempo entrei na política local, na Comissão de integração onde fui presidente durante mais de cinco anos, criando uma política de integração em que o lema era “No Luxemburgo vivemos juntos, em comunidade”. Organizamos imensos eventos como festas multi culturais, festas dos vizinhos, saraus literários, desfiles de moda, etc. Cheguei a candidato à Presidência da Câmara, tendo ficado a dois votos de entrar para o Conselho Camarário. Fui o primeiro estrangeiro a obter esse resultado, que considerei uma Vitória.

Estou a dar este exemplo para mostrar que mesmo num país que não é nosso, podemos adopta-lo como sendo e o tempo que por lá ficarmos deve ser vivido plenamente, da melhor maneira, já que não volta atrás. No Luxemburgo criei este espirito de comunidade, e convido-vos a fazer o mesmo onde quer que estejam.

Aconselho a inscrição para votar

Aconselho as pessoas, assim que cheguem a um novo pais a se inscreverem nos Consulados e Câmaras locais para poderem exercer o direito de voto. A proximidade com as comunidades locais constrói-se e a nossa participação activa pode ter uma influencia muito positiva. São estes círculos eleitorais (as presidências da Camara no Luxemburgo têm poder) onde podemos exercer mais influência e com isso a tornar as comunidades mais receptivas a adoptar políticas que nos ajudem a integrar, seja no ensino (creches, escolas locais) ou outros.

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