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Quando o marido não é português (2)

Quando me pediu em casamento (os mexicanos mantêm a tradição de comprar um anel de noivado, ajoelhar e pedir em casamento – bem como ir à casa dos futuros sogros pedir a mão da namorada), já tínhamos falado em ir viver para a Europa. O casamento seria em Portugal e essa seria a altura ideal para mudar de país. Escolhemos viver em Portugal porque finalmente o meu futuro marido aprenderia português bem, a crise parecia ter terminado, aproveitaríamos as lindas paisagens e estaríamos perto da minha família.

Mesmo sabendo que era o melhor para nós, para o Bernardo foi muito difícil sair do México. Era a primeira vez que ele ia viver longe da família e dos amigos, todos estavam tristes e eu senti uma responsabilidade enorme: aquele rapaz de 27 anos estava a mudar de país, de continente e de vida por minha causa. Tinha que fazer com que valesse a pena.

O casamento foi a junção de dois mundos. Como qualquer casamento. Mas este foi especial porque eram dois mundos a 10,000 quilómetros de distância. É isso que torna tão único um casamento com noivos de países diferentes. Há convidados estrangeiros, há novas experiências para uns, novas amizades para outros, uma missa com dois idiomas, convidados que chegam dias antes e se vão dias depois. O casamento não é só um dia, mas sim umas semanas. Ficámos por Lisboa um ano e por questões profissionais/financeiras, decidimos ir viver para Madrid.

Em Madrid estamos no meio e foi a melhor decisão para os dois. Falamos o idioma dele e estamos numa cultura mais latina – há mais restaurantes mexicanos. Foi bom ele ter vivido em Portugal para me compreender melhor. Para viver as minhas tradições e fazer parte da minha grande família. Agora, não estamos tão longe nem de uma família nem de outra. O México está à distância de um voo de 12 horas e Aveiro de uma viagem de 5 horas de carro. Somos uma casa mexicana por falarmos espanhol, mas somos uma casa portuguesa pela dieta mediterrânea e pelo galo de Barcelos.

Ainda hoje, oito anos após nos termos conhecido, há coisas que eu aprendo dele e do país dele e há coisas que eu lhe conto de Portugal que ele não fazia ideia. As notícias de manhã são sobre Portugal e sobre o México, as nossas diferenças acabam por não ser importantes e as conversas mais interessantes. As férias dividem-se entre o México e Portugal, com outros destinos pelo meio, e os convidados cá de casa são mexicanos ou portugueses. Quando o marido não é português, a vida torna-se mais interessante, sem dúvida.

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