Os preparativos da jornada

Tânia Valente

Aquando da entrevista de trabalho do meu marido em Outubro de 2012, e de o início de uma nova jornada na pacata cidade de Kongsberg, uma decisão tinha que ser tomada e, como não tinha sido eu a arranjar emprego, a maior fatia desta resolução, estava do meu lado. Ao olhar à minha volta, o meu marido perguntou-me “Imaginas-te a viver aqui?” E foi tão fácil decidir! Sim!!! Isto é idílico, tão tranquilo e mágico que parece um postal. E assim foi, de regresso a Portugal, comunica-se à familia e amigos e, começam os preparativos para a jornada.

Uma jornada que começa com burocracia…

A Noruega só permite a entrada de cidadãos com contrato de trabalho. Como no nosso caso, eu não tinha, tive que ir a Coimbra, à Procuradoria Geral da República pedir a apostila da nossa certidão de casamento, para ser considerada ‘reunião de familia’ a minha estadia neste país. Contactámos uma empresa para transportar cerca de 30 caixas para a Noruega e, tivemos que fazer uma lista dos bens + preços e, levar essa lista à Junta de Freguesia para aprovação (para obter um género de guia de transporte).

E com o adeus

Depois das caixas prontas, vida empacotada, bastantes expectativas e muitas lágrimas escondidas, tempo de celebrar um ‘último Natal’ e acolher um ‘Ano Novo’, mesmo novo! Lembro-me da nostalgia desse Natal, onde cada gesto, palavra e cheiro já tem gosto de saudade. Foi difícil, tão difícil. Recordo-me da minha mãe, que sempre apoiou esta decisão e, tanto ela como o meu pai e irmã, foram de um apoio e ajuda incondicional, ter sempre a lagriminha no canto do olho, cada vez que alguém dizia “Já estão quase a ir embora, não é?”. Confesso que nestes momentos, eu só queria abraçá-la e chorar, chorar no colinho tão bom da minha mãe.

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