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O regresso às aulas em Madrid

Depois do verão inteiro passado em Portugal à beira-mar, em teletrabalho, com pouco contacto com a família, mas ao mesmo tempo com a sensação de alguma liberdade, voltámos para Madrid na esperança de uma rotina. Os pais voltariam ao escritório, a filha ao infantário. Mas com um vírus à solta é difícil planear. A creche abriu com todas as restrições, desde as máscaras obrigatórias nos pais e nos educadores, às entradas e saídas intercaladas, às turmas bolha e ao horário reduzido das 9h às 15h30. Somos responsáveis por medir a temperatura à filha todas as manhãs, desinfetar a mochila e roupas ao fim de semana, deixar o carrinho na rua, desinfetar os sapatos e não levar nada da rua para as salas. Adaptação de meia hora diária durante dois dias e ao terceiro já ficou o tempo todo. 

Os horários dos pais ajustados aos da creche: um de nós começa a trabalhar desde casa às 7h para poder estar livre depois das 15h30. Consegue-se ir ao escritório de vez em quando, mas o teletrabalho tem preferência. Principalmente em época de gripes. Na segunda semana de escola chegou a temida febre, sem outro sintoma associado. Não tinha tosse, nem ranho nem dificuldade em respirar. Comia bem, dormia mal, pedia colo o tempo todo e a temperatura andava entre os 37.5 e os 38.5. No segundo dia em casa resolvi ligar para o centro de saúde uma vez que não estava a conseguir agendar online uma consulta com o pediatra. A chamada nunca foi atendida, apesar das cerca de dez tentativas, de experimentar várias respostas do atendedor automático, de declarar que tinha sintomas de coronavírus como febre ou tentar fazer uma marcação normal.  

Restou-me marcar pela internet uma “consulta por chamada” com o pediatra, disponível para dois dias depois. O pediatra ligou-me e, apesar da minha filha de 17 meses ter apenas febre, decidiu agendar consulta presencial com o médico de doenças respiratórias nessa sexta-feira à tarde. Fomos ao centro de saúde, o médico chegou à conclusão que era uma inflamação da garganta, mas mesmo assim teve que fazer a prova ao COVID19. Só podia voltar para a escola quando soubesse o resultado negativo, mesmo que, entretanto, a febre baixasse. 

O resultado negativo chegou na segunda-feira de manhã, através de uma chamada do pediatra. Regressou esse dia à escola, os pais voltaram a conseguir trabalhar sem barulho de fundo nem ter que esperar a hora da sesta e as noites voltaram a ser mais tranquilas. Mas a rotina, essa, ainda vai demorar a instalar-se. O inverno vai ser de sintomas, febres, gripes, testes de COVID, sistemas de saúde colapsados e quarentenas. Setembro ainda nem acabou e a situação em Madrid já está descontrolada. Vamos ver…  

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