fbpx

O que acontece à nossa língua?

Quando vamos para um novo país, somos quase sempre confrontados com uma realidade diferente, onde o primeiro obstáculo poderá ser a língua. Em Malta somos uns sortudos porque, apesar do Maltês ser a língua mais falada, o Inglês também é língua oficial, o que faz com que (quase) todos o falem.

No entanto, há uma outra mudança que acontece no dia-a-dia de quem está cá fora: a que acontece com a nossa lingua. Como se vai alterando o nosso Português?

Pois é, a nossa língua, e pelo menos pela nossa experiência e pelo que vejo, é amplamente afetada pela nossa “estadia (mais ou menos) permanente” fora de Portugal. Aos poucos passamos a falar mais Inglês (ou a língua oficial que for) do que Português. Aos poucos, escrevemos, falamos, pensamos e sonhamos em inglês. Aos poucos, começam a faltar-nos palavras na nossa própria língua, que inconscientemente substituimos pelas palavras inglesas, que “ganham” o lugar das mais usadas. Aos poucos, as nossas frases são um misto de inglês e português, que nos leva a refilar uns com os outros num “vá, diz tudo em Português”, numa tentativa de não perdermos o que é nosso.

No nosso caso, e numa tentativa de não perder mesmo nem deixar que a tendência de falar inglês vença, temos “adotado” as estratégias possíveis: ler em Português (contra o ler em Inglês inicialmente adoptado para melhorar o inglês), obrigar-nos a usar só palavras portuguesas nas conversas (sejam estas escritas ou verbais), corrigir-nos a nós mesmos e uns aos outros sempre que algo não está bem, ouvir televisão, escrever ou jogar em Português.

Nem sempre é fácil, muitas vezes este esforço, subitamente e quase contra a nossa vontade, desaparece e acabamos com frases do género “vamos fazer isso now” ou “dá-me aí o parsley”, ou começamos a frase com um “So” em vez de um ”então” e o dia com um “good morning” em vez do nosso querido “bom dia”.

Quanto estamos em Portugal brincamos, ou até gozamos, com o “Português dos emigras”. No entanto, quando passamos para “este lado”, esse Português torna-se uma realidade, e o esforço e a luta para não falarmos “à emigra” começa a ser diária.  

Comentar

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Subir ↑

%d bloggers like this: