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O cérebro e as línguas

Tessy Gomes

Em 2013, decidi regressar ao país que me viu nascer e onde vivi até aos meus 10 anos. Ao longo desses 3 anos da minha vida adulta por lá pude constatar o poder do nosso cérebro com a aprendizagem das línguas.

Ser-se luxemburguês é ser-se poliglota

Nasci no Luxemburgo, onde vivi até aos 10 anos, como já referi. Na altura os meus pais decidiram regressar a Portugal. Íamos tantas vezes de férias ao longo do ano a Portugal que a minha adaptação não podia ter sido melhor.

Quanto à brincadeira, aos amigos, ao estar na rua, ao tempo já todos perceberam que adorei. Existe maior felicidade, para uma criança, do que brincar ao ar livre? Quero acreditar que não.

Quanto à escolaridade, senti que tinha andado de “cavalo para burro”. As matérias não eram muito diferentes mas faltavam as línguas. E esta falha, que vi desde muito nova, fez-me dizer aos meus pais que um dia regressaria ao Luxemburgo para poder comparar o nível de vida com o de Portugal.

No Luxemburgo existem três línguas oficiais: o luxemburguês, o alemão e o francês. Eu ainda tenho a vantagem de os meus pais serem portugueses. 

Em Portugal, ficavam todos impressionados por ser poliglota, mas eu sentia-me incompreendida por já não as praticar e ter a sensação de que as estava a perder. Felizmente, a maior parte da minha família mora lá e podia conversar com os meus primos. Mas nunca é a mesma coisa. 

 Memória a longo prazo

Terminei a minha licenciatura em 2013, em Portugal, e nas férias de verão lá rumei em direção à minha nova aventura no Luxemburgo. Ao longo dos 3 anos que lá vivi, nunca foi difícil voltar a praticar as três línguas oficiais. (Presenciei o mesmo fenômeno, neste caso com a língua inglesa durante a minha experiência de Erasmus na Républica Checa.)

Na altura achei este acontecimento tão curioso que fiz um pouco de pesquisa. Encontrei vários estudos que revelaram que aprender línguas é um processo complicado e requer flexibilidade por parte do nosso cérebro, e que a idade é o factor mais importante. Já diz o ditado “de pequenino é que se torce o pepino!” Ainda mais interessante é que há estudos que indicam que é muito difícil, praticamente impossível, esquecer o idioma nativo sobretudo na vida adulta mesmo morando fora do país, fenômeno ao qual se chama memória a longo prazo. Também pode acontecer com línguas secundárias, desde que tenham sido aprendidas em criança.

Como considero o luxemburguês, francês e português  línguas maternas, o alemão e inglês como línguas secundárias, foi só ir à minha gaveta cerebral onde está armazenada a minha memória a longo prazo e lá estava eu a praticar todas estas línguas outra vez sem grande dificuldade.

Como assim os bebés podem ser bilíngues a partir dos sete meses?

É verdade! Agora que fui mãe recentemente, despertou em mim a preocupação de quando é que posso ensinar uma nova língua à minha filha. 

Descobri através da aplicação Philips Avent Baby+ um artigo que falava sobre os bebés serem bilíngues. De acordo com vários estudos, os bebés têm a capacidade de serem bilíngues a partir dos 7 meses. Porque? Porque, reconhecem as diferentes estruturas gramaticais como padrões. E ser bilíngue só traz benefícios… o cérebro do bébé torna-se mais flexível em termos de aprendizagem, influenciando à leitura mais cedo, saber resolver problemas e pensar criativamente, comparado com um bébé monolingue.

“Aprender e ser-se fluente numa língua não é a mesma coisa mas é uma ajuda preciosa quando nos deparamos com essa mesma língua”… por isso pais não tenham receio e incentivem as vossas crianças a aprender uma língua nova. 

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