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O novo normal

Antes da pandemia se instalar em Espanha, eu e o meu marido já trabalhávamos desde casa pelo menos uma vez por semana. Porque o nosso trabalho podia ser feito perfeitamente desde o conforto da nossa sala, porque as nossas empresas eram flexíveis nesse aspeto, porque não perdíamos tempo nos transportes públicos nem precisávamos de fazer malabarismos entre o escritório e a creche da filha. O equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional existia. Agora… agora sobrevivemos.

Todos tivemos que ficar em casa e, uma semana depois de entrarmos em estado de alarme, a empresa do meu marido, por ser uma empresa de mobilidade urbana (táxis, trotinetas, motos partilhadas, etc) viu-se obrigada a trabalhar a meio gás: todos os empregados, incluindo CEO e diretores, passaram a trabalhar quatro horas por dia e a receber metade do salário. A outra metade, o governo paga como se fosse subsídio de emprego: a 70%. Sei que muitas outras empresas estão a ter que tomar decisões semelhantes: seja em Espanha, em Portugal ou qualquer outra parte do mundo. Temos só que agradecer que temos governos que criaram programas de ajudas extraordinários para impactar o menos possível as famílias. É agora que agradeço a decisão que tomei em ter saído do México.

Na minha área o impacto económico também se está a fazer sentir. Como eu imagino que se sentirá em quase todas as indústrias. Seja agora ou daqui a três meses. Trabalho numa empresa de questionários online e os meus clientes são empresas de estudos de mercado. Quando acontece uma crise, o primeiro a ser cortado no orçamento é o marketing. Quem tem dinheiro para gastar em estudos de mercado se há coisas bem mais prioritárias? Primeiro, anunciaram que iam adiar o aumento de salários, previsto para Abril. Estavam a ser prudentes e a preparar-se para a batalha. Três semanas depois, disseram que não era suficiente e teriam que cortar no pessoal. O nosso diretor de Madrid conseguiu que ninguém fosse despedido, mas todos os empregados começarão a trabalhar a 80% em Maio. Trabalhar quatro dias por semana e ganhar menos 20% do salário. Mesmo assim, despediram 5% da sua força laboral a nível global: 100 pessoas nos Estados Unidos e 100 na Europa/Ásia.

Todos estamos a fazer esforços para evitar uma crise maior. Uns mais que outros. O governo financia subsídios de desemprego, as empresas trabalham a meio gás com as vendas quase paradas, setores inteiros parados, como é o caso do turismo, restauração, cabeleireiros, lojas de roupa, boutiques. Será que há ajuda suficiente para todos? Será que ainda vai demorar até voltar tudo à normalidade? Porque desde há um mês e meio que este é o nosso novo normal. 

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