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O Covid-19 nas nossas vidas

Em poucos dias tudo mudou. O desconforto para cumprimentar os amigos com um só olá; As risadas quando estendemos  o pé, ou batemos com os cotovelos para um adeus; As chamadas telefónicas para Portugal com o coração apertado (era impossível não chegar lá) a tentar convencer o meu pai para fazer uma vida mais caseira, não apertar a mão a ninguém, fugir dos restaurante à pinha, não andar de transportes públicos; Consciencializar os meus filhos adolescentes que não podem ir a festas com muitas pessoas, que não devem cumprimentarem os amigos e ainda convencer  o mais velho a não dar beijos à namora; Gerir as nossas frustrações por os eventos sociais estarem a ser cancelados um após o outro; A incerteza do que fazer amanhã porque já não sei se vale a pena fazer qualquer tipo de planos porque até já não sei se amanhã haverá escola. São algumas das consequências causadas pelo Covid-19 na minha vida.

As consequências para além de individuais são coletivas e são ainda amplas, sem precedentes e difíceis de descrever, mas muito percetíveis na nossa comunidade. 

Infelizmente, foi apenas quando percebemos que a epidemia estava aqui ao nosso lado (Itália) que o medo nos bateu à porta e tomamos real consciência do problema. A epidemia chegou a uma velocidade exponencial, primeiro gradual e logo a seguir de repente. 

Frequentemente surgem-nos medos na tomada de decisões que há um mês eram tão banais.  Temos receio de estar a exagerar, ou entrar em pânico. Pensamos: “estarão a rir se de mim? Ficarão zangados comigo? Vou esperar para ver o que dizem os outros, alguém ha-de reagir.”

Nos primeiros dias dei por mim a devorar a página da OMS, da OFS (Office Federal de la Santé) e a rever conceitos de epidemiologia. Queria perceber como tinham sido controladas as outras epidemias. 

Nesta altura já esperávamos medidas mais drásticas das autoridades Suíças. Ficando indignados, principalmente porque os comboios de e para Milão não terem sido suspensos, não haver maior controlo nas fronteiras com Itália.

E passados 2/3 semanas são relatados os primeiros casos em Portugal. A minha preocupação redobra porque tenho lá família, porque me diz respeito e porque conheço os limites do meu país. 

O que era perto se tornou longe. O avô do meu marido está internado no hospital com pneumonia, mesmo que só demoremos duas horas de avião teremos de esperar os 14 dias de quarentena para temos autorização de uma visita. 

Vamos todos ser solidários e actuar de modo a diminuir a propagação deste vírus. Justos conseguimos.

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