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O Constante adeus!

Neste constante adeus a minha disponibilidade para meter conversa vai-se dissipando no tempo e acredito também que é diferente se é a primeira vez ou se já se vai numa quarta ou quinta re-localização. Porque o reverso da moeda de conhecer muita gente é que também estamos continuamente a dizer adeus. Adeus a alguém com quem socializamos apenas em festas de escola, conhecida do ginásio mas também adeus a pessoas com quem convivemos muito e em família. E ao fim de tantas despedidas que doem, de praticar o desapego emocional de uma forma consistente e contínua, inconscientemente já não nos apegamos com a mesma força às novas amizades. Porque quando são eles a dizer adeus o vazio que deixam no nosso lado é muitas vezes difícil de preencher. Porque por estamos por aqui já há uns anos, onde os outros grupo dos que chegaram ao mesmo tempo já estão formados e sabemos que a nossa saída está para breve, não investimos em mais ninguém tão profundamente ou não há quem invista em nós. Até porque é insubstituível tantas vezes! É um tipo de luto. E aos poucos aprendemos a estar connosco. A estar só mas bem. Porque a nossa companhia para nós mesmo nunca nos vai dizer Adeus. Estamos sempre presentes ali connosco. É um ato de sobrevivência mental do nosso subconsciente mas que vai gerando e acarinhando o nosso ser e mente de uma forma suave e harmoniosa. Dou por mim muitas vezes sozinha a tomar um café, a passear ou a ir a um museu durante a semana porque gosto da minha companhia. E ao fim de semana estamos os dois ou com os miúdos. O nosso ninho.

5 comentários em “O Constante adeus!

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  1. É mesmo difícil querida Joana mas também sei que o vosso coração é enorme e a quem toca deixa uma marca boa e profunda para sempre.
    São uma família extraordinária, e estas mudanças desgastam mas também lançam novos desafios e enriquecem-vos como pessoas.
    Que os novos desafios vos tragam muitas alegrias!

  2. Joana, gostei muito deste teu texto, mencionaste dois aspetos importantes da vida que é, por um lado sabermos estar connosco próprios, por outro a questão do desapego que, por um lado, parece ser algo ‘impessoal’ mas, na realidade, é aceitarmos uma parte fundamental da vida …happy with it, happy without … como se houvesse uma ‘base’ que somos cada um de nós, e essa tem que existir para que tudo faça sentido, mas o resto vai mudando. É tão fácil falar, mas sentir isso na pele diariamente é de se tirar o chapéu. Parabéns Joana pela tua vida e pela forma como a partilhas connosco!!

  3. Este texto enquanto catarse deixa transparecer um estado de nostalgia, de algum sofrimento. Aliás, o anterior já o demonstrava. É uma antecipação do luto que porventura se esperava vir a acontecer.
    Neste momento, encontra nela a sua maior confidente!
    Um beijo

  4. Penso muitas vezes das tuas amizades que foste construindo e descontruído ao longo destes anos saltando de país em país. Mas há sempre aquelas que perduram mesmo estando longe comunicam e que se organizam promovendo encontros como a ida a Marrocos ou ver as Túlipas na Holanda e mais encontros virão certamente.
    Mas uma coisa é certa, o entusiasmo demonstrado ao longo dos anos para criar laços de amizade vai diminuindo devido a vários factores, escola já não será aquela novidade dos primeiros anos, os filhos crescem levantam voo e assim vais tendo tempo para ti, vais-te conhecer melhor, sentada numa esplanada, num banco do jardim ver uma exposição aumentando assim os teus graus de liberdade. 😘

  5. Obrigada por partilhares este lindo texto! Nós Portugueses temos genes de resistência e adaptação mas connosco carregamos a nostalgia e a saudade com um vazio que nunca se preenche apesar de muitas experiências novas, e amigos que se ganham e perdem ao longo da vida. Lembro que cada partida de Portugal trazia um mar de lágrimas e uma revolta do porquê da partida. Quando finalmente aceitei que pertenço a um mundo global e sem fronteiras e não a um só país Portugal, acabou o nacionalismo e comecei a valorizar mais o mundo e a ajudar o ser humano. Isto fez-me mais feliz! São sobrinhos que não vi crescer, amizades que não fortaleceram, mas deixamos a nossa esperança é amizade por onde passamos, e muitas pessoas ficam a conhecer quem são os Portugueses e Portugal mais através de nós que estamos a contribuir para o conhecimento de Portugal e a nossa cultura e bondade, mais do que alguém que nunca saiu do país. Beijinhos a todos os imigrantes e muitas felicidades. A felicidade não é o muito ter, mas sim o pouco querer. Não sei quem disse isto, mas foi a minha professora de história no liceu da Póvoa de Varzim. 30 anos atrás

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