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Ser mulher em Espanha

A 13 de Janeiro de 2020 foi fundado o Ministério da Igualdade em Espanha. Este foi um passo importante especialmente para as mulheres, que em nenhuma parte do mundo estão em pé de igualdade com os homens, e comunica-nos que ainda há tanto por fazer, em Espanha e em qualquer país. Ser mulher em Espanha.

O objetivo deste ministério foi de propor e executar medidas de igualdade entre mulheres e homens no país. Prever e erradicar as distintas formas de violência contra a mulher e eliminar discriminações por razões de género, raça, etnia, religião, ideologia, orientação sexual, identidade de género, idade, incapacidade ou qualquer outra circunstância pessoal ou social.

Mercado de trabalho da mulher em Espanha

Apesar da participação das mulheres no mercado de trabalho ter crescido de maneira estável nas últimas décadas, os homens ganham em média 5.783,99€ mais por ano que as mulheres e a diferença salarial só se reduziu a 9 € de 2016 para 2017 (contudo, já se reduziu 491,28€ desde 2008).

A concentração desigual de mulheres e homens em diferentes setores do mercado de trabalho e da formação universitária em Espanha continua a ser um problema não só para Espanha, mas para toda a UE: cerca de 24% das mulheres trabalham nos setores de educação, saúde e trabalho social (em comparação com 7% dos homens). Menos mulheres (5%) que homens (29%) trabalham em profissões STEM (relacionadas com a ciência, tecnologia, engenharia e matemática).

Um estudo nas empresas presentes na Bolsa de 14 países determinou que Espanha é o segundo país mais igualitário, depois da França, com políticas corporativas contra o assédio sexual (72% das empresas espanholas conta com este tipo de medidas) e a transparência de dados sobre a desigualdade salarial entre homens e mulheres (em Espanha, 82% das empresas divulga este tipo de informação).

Em 2019, as mulheres ocupavam 24% dos cargos administrativos nas empresas espanholas e em 2020 esta percentagem aumentou para 29%.

Maternidade e Paternidade

A partir de 1 de Janeiro de 2021, as licenças de maternidade e paternidade em Espanha tornaram-se iguais. 16 semanas 100% remuneradas para ambos os progenitores e intransferíveis: dois fatores fundamentais para incentivar os homens a desfrutá-las, transmitindo a mensagem que os pais têm o direito e a obrigação de cuidar os seus filhos, exatamente nas mesmas condições e termos que as mães.

Estas características situam Espanha à frente do resto dos países europeus, incluindo os nórdicos, como Islândia e Suécia, onde as licenças exclusivas para o pai são de 12 semanas e remuneradas a 80%.

No norte da Europa há licenças mais longas, mas ao serem transferíveis, são usadas maioritariamente pelas mulheres. Contudo, enquanto que a Organização Mundial de Saúde recomenda 6 meses de amamentação exclusiva, a licença de maternidade remunerada são apenas 4 meses, obrigando as mulheres a pedir licenças de trabalho não remuneradas ou redução de horários para poder cuidar dos filhos (cerca de 24% das mulheres trabalha em regime part-time, em comparação com 7% dos homens).

Trabalho não remunerado

As mulheres continuam a realizar em média mais tarefas domésticas que os homens, apesar da percentagem de mulheres integradas no mercado de trabalho ser cada vez maior.

Em Espanha as mulheres dedicam 39,7 horas por semana ao seu emprego principal, comparadas com as 33,9 horas dos homens. Contudo, elas empregam 26,5 horas a trabalhos não remunerados, enquanto que os homens apenas 14 horas por semana. Conclusão: as mulheres trabalham mais horas e recebem menos.      

Espanha ainda tem um longo caminho a percorrer no que respeita a igualdade de género em salários, oportunidades, trabalho e cuidados de menores ou maiores, mas já esteve pior, e encontra-se estatisticamente melhor que Portugal. Pessoalmente, nunca me senti discriminada neste país por ser mulher: o país investe na educação e saúde gratuitas e de qualidade, tenho flexibilidade de horário e de tele-trabalho no meu emprego, conseguindo conciliar a agenda profissional com o cuidado dos filhos e do lar.

Apesar de eu estar mais responsável por cozinhar e lavar a roupa em casa (por opção), o meu marido limpa e aspira, leva os filhos ao parque e encarrega-se de dar-lhes as refeições e banho todos os dias, bem como acordar de noite para mudar fraldas, tenha ou não que trabalhar no dia seguinte. Sei que ele é um pilar fundamental para eu poder continuar a trabalhar 8h por dia com 2 filhos, pois sou a única mulher na minha empresa que não tem redução do horário de trabalho. A luta pela igualdade tem que ser feita tanto pelas mulheres como pelos homens.

Fontes:

https://elpais.com/economia/2021-03-04/espana-se-situa-como-el-segundo-pais-mas-igualitario-del-mundo.html https://www.rtve.es/noticias/20200307/datos-igualdad-espana-buena-nota-pero-pocos-avances-dos-anos-despues-primera-huelga-feminista/2004950.shtml

https://www.eleconomista.es/mercados-cotizaciones/noticias/11082060/03/21/Espana-es-el-segundo-pais-con-mejores-resultados-a-nivel-mundial-en-materia-de-igualdad-.html

https://elpais.com/sociedad/2020-12-31/permisos-de-paternidad-16-semanas-para-avanzar-en-la-igualdad.html https://elpais.com/ideas/2020-10-24/ojo-a-la-trampa-de-la-conciliacion.html

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