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Meu querido mês de Agosto

Verão, Natal, Verão, Natal… Não sei bem quando começa a ansiedade de planear as férias e as idas a Portugal. Se no verão ou se no Natal, é um pouco como aquela história do ovo e da galinha. No Verão já organizamos o Natal e no Natal já organizamos o Verão, na medida do possível, e depois ainda vem a Páscoa, e, quando aplicável, as interrupções escolares das nossas crianças que nos proporcionam motivo para mais uns momentos de ansiedade. Férias, viagens ou ir a Portugal?

Antes desta vida de emigrada dava-me ao luxo de 5 dias de férias de papo para o ar numas areias quentes quaisquer do nosso país, o resto do tempo disponível eu viajava. Fosse dentro ou fora do país, mas não estava parada… os 40km que nos distanciavam do mar não nos assustavam e íamos almoçar junto ao rebentar das ondas da Nazaré, Figueira da Foz, Aveiro… ir ver o mar. De vez em quando lá desafiávamos uns amigos e íamos passar a tarde a Viseu, fazer um piquenique na serra do Bussaco, ou tentar chegar ao Piódão, para quase sempre ficarmos pelo caminho. E ao Domingo de manhã aproveitavamos o facto de os museus serem gratuitos para ir a Serralves, almoçar em Matosinhos e regressar pela costa. Uns dias juntos a mais de folga e faziamos uma viagem qualquer por essa Europa fora.

Depois de emigrar à séria, a coisa começou a ser diferente, por mais vontade que houvesse em viajar juntavamos os dias todos para serem usados em duas alturas do ano, Natal e Verão, o que são as férias do nosso filho, para nós é o “ir a casa”. Visitar familiares e amigos. Tratar daqueles documentos, ou resolver aqueles assuntos que só se fazem na nossa presença, ir ao médico. Os dias livres que tínhamos começaram a ser gastos não para o nosso descanso ou usufruto, mas para nos dar mais trabalhos ainda. Visitar aquele amigo que visivelmente nos quer ver mas só pode tomar um café entre duas reuniões e no fim parece que nos está a fazer um favor. O mesmo com aquele familiar que solta um “pois  agora só cá vêm de vez em quando” quando antes… bem… também éramos nós que lá íamos. A obrigação da visita que antes já era nossa, agora parece que é a punição por nos termos afastado ainda mais.

Sempre tudo com muita cerimónia, pois agora “eles vivem na Suiça.” “Suécia prima! Vivemos na Suécia!” “Isso! Quer mais uma fatia de bolo?” Em suma… usamos as férias para ir a Portugal comer… Não me interpretem mal, adoro ir a Portugal, mas custa-me passar 15 dias em “casa” quando por vezes os outros nem têm tempo para nós.

E a cereja no topo deste bolo da ansiedade termina com as férias da Páscoa ou parte das férias de verão onde recebemos uns amigos e temos que tirar férias para ficar a mostrar as redondezas.

No início não tínhamos carro, mas tínhamos necessidade de ao fim do dia irmos um bocadinho mais longe, para fora da cidade, ao fim de semana arriscar e ir almoçar numa quinta biológica 60km a Sul, ou visitar um dos castelos junto ao lago Mälaren. Sair, espraiar… estender-me na areia, mesmo que preta… agora fazêmo-lo e é muito libertador sentir que há espaço, e que posso preencher, dominar, pertencer a esse espaço. Viajar pela terra que me envolve e me acolhe.

Férias só mesmo aquelas duas semanas no Algarve no Verão… por vezes a família vai lá passar o fim de semana ou uns dias connosco.

E agora viajamos sempre e obrigatoriamente mesmo quando vamos a Portugal. Tentamos sempre passar uns dias “fora” no Natal para descansar… e perdoem-nos aqueles que tinham planeado visitar-nos na Páscoa ou num fim de semana prolongado, podemo-nos encontrar em Amsterdam? Viena? Praga? É que nós vamos estar por lá…

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