Lembrar o 11 de Setembro 

Raquel Ferreira

O ataque terrorista da manhã de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos deixou o mundo incrédulo e aterrorizado. Em poucos minutos, televisões e rádios pelo globo transmitiam as notícias do que se estava a passar em Nova Iorque, na Pensilvânia e Washington. Muitos de nós, portugueses, apesar do oceano que nos separava destas cidades, ainda nos lembramos de onde estávamos e como recebemos a notícia, de tão marcante que foi para o mundo. 

No dia 11 de setembro em Lisboa

Estudava em casa de uma amiga em Lisboa, onde não havia televisão. Recebi um telefonema de alguém próximo e voámos para o café em frente. Não usávamos redes socias e eu nunca tinha vindo aos Estados Unidos. Mas fiquei colada ao ecrã daquele café na Alameda. Era impossível não sentir qualquer coisa de muito forte perante as imagens que nos chocaram, nesse dia e nos seguintes, quando começaram a ser divulgados mais detalhe do que se ficou a saber, depois, ter sido um ataque terrorista ao coração da América. 

Anos mais tarde em Nova Iorque

Quando me mudei para Nova Iorque dez anos depois, tive um contacto mais próximo com a realidade do que tinha acontecido. No local da baixa de Manhattan onde antes tinham estado as torres gémeas e os outros edifícios que caíram, cheguei a ver ainda um espaço enorme em construção. Muito maior do que eu imaginara.

Em Setembro de 2011, inaugurou-se finalmente o memorial com duas grandes fontes, implantadas no local exato onde antes tinham estado as torres. Para entrar e ver o memorial de perto, era necessário passar por segurança apertada e marcar visita. Hoje em dia, é já uma espaço aberto e aprazível com árvores, onde se pode passear, e há ainda um museu. Acompanhei também a construção do robusto e novo edifício de 104 andares do World Trade Center, que abriu finalmente em 2014 e é atualmente um dos arranha-céus mais célebres do skyline de Manhattan. 

Todos os anos, especialmente nas semanas que antecedem a data de 11 de Setembro, muitos nova-iorquinos recordam com grande detalhe onde estavam e o que faziam na manhã dos ataques terroristas.

No gabinete da clínica onde ainda hoje trabalho na baixa de Manhattan, a pouca distância daquele local, tenho ouvido ao longo dos anos inúmeros relatos e testemunhos tocantes. Uma mãe que empurrara o carrinho do filho num bairro próximo, em Chinatown, quando tudo aconteceu, e se interrogava, anos depois, quanto daquela tragédia o bebé teria testemunhado. Os jovens estudantes nos vários boroughs de Nova Iorque que viram a cidade parar e, na ausência dos transportes públicos e com as comunicações cortadas, ficaram retidos dentro das suas escolas. A mulher que assistiu à queda das torres a partir do seu terraço de Staten Island e ainda esta semana me falou do cheiro no ar, e do silencio de morte que se seguiu ao desabar das torres gémeas. E admiro os meus colegas psicólogos que acompanharam voluntariamente sobreviventes e como foi essencial o seu trabalho para que tantos ultrapassassem as memórias traumáticas daquele acontecimento. Eu não estava cá, mas esta é uma memória coletiva que também já me pertence, como residente em Nova Iorque, e que preservo com muito respeito. 

Em cada aniversário do 11 de Setembro, estas experiências são recordadas e os relatos repetidos. É um ritual necessário que convida cada um a avançar. Hoje, são 20 anos. Para muitos, é como se fosse ontem.

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