Legislativas 2022, um pouco mais portuguesa

Catarina Leal Bacchi

Hoje recebi pela primeira vez em 15 anos o boletim de voto para as Legislativas, de 30 de janeiro de 2022. Como para estas eleições (as legislativas) o voto é feito via postal, e como nunca recebi a carta na Bulgária, nunca votei desde que cá estou. Não sei se finalmente começaram a usar correio registado, ou se o acaso COVID fez com que hoje estivesse em casa na hora em que o carteiro tocou à campainha. Sim, os números de infetados e mortes continuam a subir na Bulgária e desta vez, calhou à professora do meu filho, por isso começamos hoje uma quarentena de 10 dias e aulas online. Tão bom! Só que não…

Já desde há dias que falamos nos grupos de portugueses na Bulgária ou noutros pelo mundo, por andam as cartas, quem já recebeu, quem ainda não. E eu, pela experiência do passado, não estava nada, mas nada à espera. Mas, recebi, iupi!! E de alguma forma estou tão contente. Nem sei bem porquê. Só me apetece dar pulinhos de contente e agora começo a chorar enquanto escrevo isto…

A política, as legislativas e eu

Não é um tópico que adore, a política, mas considero um importante dever e direito cívico para vivermos em democracia. É também uma renovação de esperança em melhorar o país e a vida dos cidadãos. No entanto, ando a refletir há um tempo no desfasamento que sinto em relação a Portugal (ler 20 anos emigrante! Um balanço de (meia) vida no estrangeiro) e se realmente tenho o direito de votar para um país onde não vivo. E como nos últimos anos nem sequer tive a escolha de poder votar, sinto-me ainda mais afastada da vida política portuguesa.

Da mesma forma, ponho-me a pensar que devia poder votar para o governo na Bulgária, onde muitas das decisões e políticas afetam o meu dia a dia. Até ao ponto de considerar pedir a nacionalidade apenas para poder votar. Parece que poderia pedir mas teria de renunciar a portuguesa, e isso está fora de questão. Isto para dizer que por estas razões não sigo nada de perto nem o que se passa em Portugal nem na Bulgária. Não pertenço nem a um nem a outro e aos dois ao mesmo tempo, talvez 50/50. As idiossincrasias da condição de emigrante de muitos anos.

Claro que sei que sendo portuguesa, as políticas portuguesas acabam por me afetar de uma maneira ou de outra assim como afetam a minha família e amigos que vivem em Portugal e por esse mundo fora.

Em conclusão, lá vou tentar pôr-me a par dos candidatos e dos seus programas para tentar fazer uma escolha minimamente informada. Estou tão feliz por finalmente poder voltar a exercer o meu direito de voto que obviamente ponho de lado as minhas questões existenciais de pertença e identidade e vou enviar o meu voto. Isto se a carta chegar a Portugal.

De qualquer das maneiras, hoje sinto-me um bocadinho mais portuguesa!


Para quem está recenseado no estrangeiro, e ainda não recebeu, pode verificar onde anda a vossa carta através deste link.

Para quem está recenseado em Portugal mas deslocado temporariamente no estrangeiro pode votar dias 18 a 20 de janeiro antecipadamente nas embaixadas ou consulados previamente definidos pelo MNE. Mais informações neste link.

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