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Kuwait: o desafio que aceitei em 2017

A minha primeira experiência fora de Portugal foi em 2013, quando fui para o Curdistão no Iraque. E sempre que dizia a alguém que ía para o Iraque, conseguem imaginar a cara da pessoa, certo? Como sou (ainda) funcionária pública, voltei a Portugal 5 meses depois. 

Em 2017 chegou um novo desafio: Kuwait. E 3 anos depois é onde ainda estou. Cara das pessoas: “Kuwait?! Aquele país que esteve em guerra com o Iraque?!” E é isto. Infelizmente o Kuwait ainda só é conhecido pela guerra com o Iraque. 

Como já tinha passado pela experiência no Iraque, a minha adptação ao Kuwait foi fácil. Não quer dizer que seja igual para toda a gente. Acho que a maior parte das pessoas diz que ou se ama ou se detesta. Eu gosto muito. Mas, há sempre a questão de estar muito longe da família. E de alguma forma sinto “culpa” de os ter abandonado quando se calhar mais precisam de mim. O meu marido está aqui estabelecido e não tive outra hipótese senão segui-lo. 

Eu trabalho numa multinacional alemã e vejo o meu trabalho reconhecido. Isto é muito importante para a minha sanidade mental. 

O clima no deserto kuwaiti: 58 graus

Uma das coisas que mais afeta os expatriados é o clima. Estamos no deserto e o calorzinho começa por volta de março e prolonga-se até novembro. No verão as temperaturas podem chegar aos 58 graus, mas é um clima seco. O frio começa em fins de novembro e vai até ao fim de fevereiro e chove cerca de 10 dias ao ano. Mas quando chove um bocadinho mais é o caos! Até inundações há. 

O Kuwait é um país pequeno que vive do petróleo, e com imensos contrastes sociais. Aliás, a sociedade aqui está bastante escalonada por nacionalidades onde os Kuwaitis, claro, ocupam o topo. Nós, europeus, gozamos de uma vida privilegiada. 

Somos respeitados e vimos normalmente ocupar boas posições no mercado de trabalho. O Kuwaiti Dinar é a moeda mais forte do Mundo. Ah! E não há impostos! 

Uma democracia “mais ou menos”

O Kuwait tem uma respeitada monarquia, tem parlamento e a figura mais alta do Estado é o Emir. 

Como eu costumo dizer, aqui temos uma democracia “mais ou menos”. 

O melhor para mim é poder andar na rua seja a que horas for e não sentir insegurança. 

A criminalidade é muito baixa e dá a sensação que a polícia é muito boa, pois apanham sempre alguém. Não sei bem é se apanham a pessoa certa! 

Também nas redes sociais convém ter sempre algum cuidado com o que se escreve. A liberdade de expressão também é “mais ou menos”. No entanto, podemos usar as plataformas sociais para denunciar, por exemplo, lixo na rua. Ou seja, não estamos amordaçados! Não convém mesmo é falar mal da família real. Dá deportação. Aliás, a palavra deportação é sempre a mais temida

A mulher no Kuwait: quando a liberdade depende da nacionalidade

O tema da mulher nos países árabes tem pano para mangas e vou abordar essa questão num outro texto. Mas para satisfazer as questões de sempre, não ando tapada, posso andar de mini saia (não ando, mas ando de vestidos acima dos joelhos) posso ir para praias e piscinas privadas de bikini. Se as praias são públicas, convém levar calções e uma blusinha. Nada de mostrar muuuita pele! 

Kuwait city está modernizar-se, tem ótimos restaurantes e cafés mas álcool, zero. Valham-nos aqueles amigos que trabalham nas Embaixadas que têm acesso a álcool, e assim, de vez em quando lá temos o prazer de beber uns copos. Ou então quando somos convidados para as festas nas Embaixadas – um luxo! Convém dizer que não há Embaixada portuguesa no Kuwait. A Embaixada que representa o Kuwait e o Iraque é a nosssa Embaixada em Abu Dhabi nos Emirados Árabes Unidos

Espero ter-vos despertado alguma curiosidade acerca do Kuwait! 

Até ao próximo texto.


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