Halloween nos EUA

Raquel Ferreira

O Halloween nos Estados Unidos é uma festa amplamente celebrada por crianças e adultos de todas as idades. Sempre admirei o caráter festeiro dos americanos e, ano após ano, sinto que vou entrando cada vez mais no espírito desta festa original e fabulosa que é o Dia das Bruxas. 

A tradição do Halloween tem origens celtas e foi trazida para a América pelos imigrantes irlandeses e escoceses no século XIX. Vem associada aos rituais de honra à memória dos mortos do dia 1 de novembro, também chamado o dia de Todos os Santos. A noite da véspera deste feriado era então o All Hallows Eve (Hallow significa santo) e, mais tarde, contraiu-se na expressão Halloween. Ao longo do tempo, foram introduzidas brincadeiras e atividades que envolvem andar e casa em casa mascarado a pedir doces (o famoso trick-or-trick ou doçura ou travessura), esculpir abóboras que se deixam junto às casas com luz dentro (Jack-o-Lantern), ver filmes de terror e frequentar festas dedicadas ao tema.

Algumas semanas antes do dia 31 de outubro, começam a ver-se um pouco por toda a cidade de Nova Iorque fantásticas decorações nas entradas das casas (townhouses), fachadas e entradas dos prédios, assim como nas montras de lojas, supermercados e cafés, como uma espécie de competição de criatividade para apresentar as melhores, mais espalhafatosas e assustadoras representações de Halloween. 

Quando os meus filhos eram pequeninos e nesta altura do ano, sentia um misto de surpresa, susto e receio de que se apercebessem dos esqueletos, pedaços de pernas e mãos estropiadas a sair das janelas e me perguntassem o que eram aquelas criaturas. Pouco a pouco fui percebendo o valor educativo que vem da dessensibilização e sei hoje que não se deixam assustar. Antes, juntam-se ao jogo de identificar a casa com mais ou maiores abóboras, o prédio com esqueletos ou bruxas mais altas ou o quintal com campas e monstros sonoros mais espetaculares, que são acionados com o movimento de quem passa. E, felizmente, os meus filhos tendem a escolher mascarar-se de animais ou personagens dos seus desenhos animados preferidos, que em nada são assustadores.

Halloween nos EUA

Dentro de alguns prédios da nossa zona, e à semelhança do que se faz nos bairros suburbanos de moradias em que as crianças andam de casa em casa a pedir doces, organizam-se atividades de doçura ou travessura. Os moradores do prédio que decidem participar, penduram um pequeno sinal na porta do seu apartamento. Assim, as crianças descem de andar em andar e batem à porta daqueles preparadas para os receber. Há também, nas lojas ou entradas dos prédios, instalações de Halloween para se tirar fotografias. Fazem-se concursos para adivinhar qual o peso da gigante abóbora em exposição. Existem concursos de máscaras de animais de estimação. E tem havido ainda anos em que o Presidente da Câmara convida um número limitado de pessoas que conseguem bilhete para ir até à sua Residência Oficial fazer trick or treat. 

Cansativas, mas memoráveis, as noites de Halloween são “espetaculares”, diz o meu filho de 7 anos, que já foi Abóbora, Monstro das Bolachas, Urso Castanho, Flecha dos Incríveis, Darth Vader e Tartaruga Ninja. Este ano, vai de Pinguim com os amigos e a Mulher Maravilha, de balde em riste, tentar apanhar a maior quantidade de doces possível, para manter viva a tradição. Para mim, faz-me reviver os carnavais da minha infância. 

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