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A educação na Suécia – trechos da conversa sobre a experiência da Ana e da Rita

O assunto do ensino veio à baila no grupo de whatsapp da plataforma, entre pais, membros das Associações de pais, representantes de turmas e professores fomos partilhando as nossas experiências dos vários países, tendo tido a Educação na Suécia bastante protagonismo.

Aqui fica um apanhado do que a Ana e a Rita partilharam (e acrescentaram…), em frases soltas, mas que de uma maneira geral, e nisso elas são unânimes, qualificam o ensino como bastante bom, não só, ou nem tanto, pelo currículo académico, mas pela formação para a vida.

“Felizmente na Suécia, as escolas têm sido bastante activas. As câmaras municipais providenciam 1h por semana de língua materna às crianças que o desejem e assim haja um mínimo de alunos. Ainda assim o meu filho já foi o único a ter aulas de português, neste momento são 8 (7 são brasileiros) divididos em dois grupos (faixas etárias semelhantes). Os próprios alunos também têm os seus representantes na turma que reúnem todas as semanas com os restantes representantes e juntos debatem 1x mês com o reitor sobre questões como alimentação, segurança, equipamentos etc. Existe também os choices days (muito interessante) são dias em que previamente são dadas escolhas às crianças e em pequenos grupos vão depois participar nessas escolhas – pode ser desde escalada até visita ao parlamento, pode ser desde fazer Legos até ouvir uma palestra sobre bullying. E sobre bullying – este é o grande assunto nas escolas e tem havido imenso debate tanto com palestras promovidas pela escola ou pelo município, com alunos, com pais ou com professores. Orientados on-line ou workshops presenciais.”

“A escola é uma das coisas que me faz “contornar” as saudades de Portugal e uma das melhores coisas que eu e o meu marido fizemos pelos nossos filhos!”

“A nota de língua portuguesa anula a pior nota de outra disciplina nas contas da média final.”

“Aprendem a cozinhar, gerir orçamento da casa, noções de investir na bolsa, a vantagem da alimentação vegetariana/ impacto ambiental, podem criar uma empresa no 12°ano, que pode ser o início de uma vida profissional. Ouvem refugiados, crianças que viviam como sem abrigo noutros países, realidades diferentes, orientação na floresta e cidade, aprendem uma matéria e vão para floresta / parque arejar ideias e conversar com colegas sobre essa matéria, não há notas afixadas, as reuniões são no início do ano e não no fim, e com pai, mãe, mentor e aluno ( e uma velinha…).”

“Educação física, por exemplo, é mais do que exercício, é orientação espacial. São largados na floresta com mapas e bússolas, ou em bairros da cidade e têm que se encontrar.”

“A escola é muito inspiradora”

“Aprendem a tratar da roupa, a sair de um buraco no gelo (questão de sobrevivência), o que é o crédito mal parado, álcool, drogas, educação sexual. Não há professor autoritário, estamos todos no mesmo nível, discute-se o bem estar do aluno e NÃO se fala em notas nas reuniões (a não ser que o aluno queira falar). Todos se tratam por tu. Não é tudo perfeito, mas é a escola mais perto da perfeição que conheço, da minha experiência como mãe.”

“Não há afixações públicas de notas para humilhar ou vangloriar, nem sabem a nota de ninguém a menos que o aluno o partilhe com os colegas.”

“Nesta altura, 5º ano, o meu filho não tem notas mas há uma espécie de avaliação para orientar – como anda numa escola bilíngue e há muitos professores não suecos que percebem esta coisa de eu, enquanto mãe, querer perceber o nível dele relativamente à turma, se na média se acima ou abaixo, até me indicam mais ou menos mas muito vagamente. Mas na escola pública sueca sempre ficaram muito admirados com esta pergunta. Porque tal como na Dinamarca aqui há implicitamente a lei de Jante que tem 10 fundamentos mas resume-se tudo a um princípio: Tu não és especial ou melhor do que ninguém.”

“Há imenso apoio para os meninos com qualquer tipo de déficit ou deficiência (por ex. tem direito a taxi que vai buscar e levar a escola normal ou não) fraldas, cadeiras de rodas, medicamentos, tratamentos, etc e é tudo gratuito.”; “Sim, até podem precisar de apoio 24h. Têm direito a horas de babysitting por semana , para os pais poderem descansar, ir ao cinema jantar fora etc.”

“Penso que tem a ver com o facto de como “vivem” a doença. É cultural e é muito diferente de nós. Uma criança com dentes tortos, vais ao dentista, ninguém te fala em aparelho, só se a criança sofrer com isso e querer um aparelho. Aí é gratuito. ”

“Aqui há uma psicóloga e uma enfermeira em cada escola. O meu filho quando estava a aprender sueco teve dificuldades a ciências da natureza, muito vocabulário novo, a câmara contratou a professora de português para estar nas aulas ou pós aulas a ajudar na tradução/ aprendizagem.”

“Os testes podem ser a ficha de revisão que fizeram na aula anterior. Ou podem estudar vinte perguntas e o teste ser dez perguntas dessas vinte. Não há “ratoeiras”…”

“O reforço positivo é um pilar na educação sueca: as crianças são elogiados pelas conquistas, pelo seu esforço constantemente. Isto tem como objetivo fomentar um sentimento de autoconfiança no aluno. O ralhar, castigar, acentuar o erro não tem lugar nesta escola. Quando o meu filho chegou e ainda estava a aprender a língua teve que fazer uma apresentação para a turma. Apesar de a apresentação conter erros gramaticais (a gramática sueca é muito diferente da nossa e já agora por curiosidade os suecos não a estudam, não sabem o que é um adjetivo ou sujeito) não houve um único aluno ou professor a comentar esses mesmos erros. Como esta realidade é tão diferente da nossa, perguntei mais tarde à professora como é que uma criança aprendia se ninguém lhe dizia que estava mal. Respondeu-me que o aluno ao ver o que a professora e os outros escreviam interiorizava o correto. E assim foi…”

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