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Dia da Família (FAMILY DAY) em British Columbia, Canada

Este ano o Dia da Família (feriado provincial) por cá é dia 15 de fevereiro, logo a seguir ao dia de São Valentim, o que leva muitos a tentarem fazer umas mini férias cá dentro, apesar deste ano existirem limites de capacidades nos hotéis e recomendação do governo de não sairmos da nossa cidade.

Este feriado, do dia da família foi implementado em 1990 na província de Alberta para que as famílias tenham mais um dia para gozarem tempo de qualidade, tempo este que pode ser gozado em casa ou aproveitando as muitas actividades gratuitas ou de baixo custo que todas as cidades têm ao dispor.

Algumas das cidades disponibilizam pistas de gelo, piscinas cobertas, yoga e outras atividades divertidas para se fazer em família, embora muito reduzido em horas e números de pessoas este ano devido à atual situação pandêmica.

A cidade onde moro, Pitt Meadows, este ano só disponibilizou uns sacos para as crianças com jogos divertidos, alguns didáticos e manuais também.

Como é viver sem a família por perto? O bom e o mau na minha opinião

A propósito do Dia da Família, todos nós sabemos o quanto importante esta é para os nossos filhos e para nós, quer sejamos pais ou não, mas infelizmente emigrar para muito longe como nós não facilita estas relações.

Mesmo com video-chamadas, sempre que há disponibilidade de ambas as partes, nunca é a mesma coisa do que ter a avó perto para dar mimo, brincar, ou mesmo cozinhar algo que só ela sabe. yum! Até parece que sinto o cheiro das malassadas que minha mãe faz, iguaria típica dos Açores pelo Carnaval. 

Ter família perto para ajudar em caso de uma emergência, ou mesmo para “aliviar” os pais por umas horas dos miúdos traquinas também, é muito bom e um luxo do qual não sabia que iria desejar muita vez.

Poder programar festas de anos e jantares grandes, parece história e com a pandemia aindafica pior. Habituamo-nos e conformamo-nos a viver sem estas pessoas tão importantes mas, não é fácil nem é para fracos!

Aprendi nestes quase 7 anos a me desenrascar sozinha! Levo os miúdos comigo para todo o lado. Felizmente tive por vários meses família directa cá e acredito que haverei de ter mais visitas de família, mas claro nunca é igual a vivermos perto ou a uns meros quilómetros, mesmo que sejam só umas horas de carro.

No nosso caso são precisos 2 voos e cerca de 1 dia entre escala e aeroportos, muito cansativo e muito dispendioso.

É ótimo termos a nossa independência e fazermos o que bem nos apetece na nossa casa, não termos “palpites” indesejados de como educar os nossos filhos ou críticas, muitas vezes destrutivas, de quem por já ter educado e criado filhos pensa que sabe como educar nestes tempos de muita internet e de muitas exigências aos pais, etc.

Sei que isto soa assim meio duro de se ler mas sei que não sou a única a pensar desta forma.

As “exigências” e a pressão social dos tempos modernos

Os tempos são outros e educo e crio os meus filhos digamos 90% do tempo sozinha porque aqui em casa o marido é que é o “ganha pão”, quase sempre 6 dias por semana e sem limite de horas, tanto pode ser 8h como 16h.

Além desse tempo diariamente como principal cuidadora do lar e dos filhos sem a tão denominada “village” pela internet e meios sociais, sinto “exigências” a todos os níveis, que muitas vezes levam-me a pensar se não será melhor ir trabalhar fora e deixar os miúdos ao encargo de outros. Mas depressa mudo o meu pensamento porque sei que ninguém cuidaria melhor do que eu.

Infelizmente ainda há a típica mentalidade portuguesa de quem está em casa sem contribuir financeiramente “não faz nada” e tem uma “vida boa”. Esta ideia está super errada por muitas razões: ser eu a principal cuidadora dos meus filhos ao invés de “estranhos” acho que seja uma mais valia para mim e para eles, é isto que faz a nossa família funcionar bem, é isto que se chama ser Mãe e deixar para trás sonhos e aspirações a nível profissional.

Atenção que isto não é condenar nem a criticar quem escolhe exatamente o oposto, cada um vive como quer e cada um sabe de si. Acho que somos a geração que mais se exige, sermos melhores pais, melhores profissionais, melhor isto e aquilo e uma pressão a todos os níveis, e ainda há quem diga que temos tudo facilitado por termos máquinas que nos ajudam no dia a dia, enfim bocas ruins.

A solidão…este sentimento que muita vez não falamos…mas que muitos já sentimos na pele…

Não sou uma pessoa muito aberta nestes assuntos mas, aqui vai porque sei que não estou sozinha e isto de escrever é muito mais fácil do que falar. O facto de passar muito tempo sozinha em casa com os meus filhos e sem família por perto às vezes leva-me a ponderar se é mesmo isto que quero, se vai valer a pena, se os filhos vão dar valor aos nossos sacrifícios pessoais. 

Fizemos bons amigos por cá e sei que estão há distância de um telefonema, e se precisar em caso de uma urgência ajudam-me, até porque alguns também são emigrantes e sabem o que é viver sem ou com pouca família por perto. Acho que se aprende a lidar com a solidão e a encontrar algo positivo nela, mas não é fácil! A mim ajuda-me já ter um filho de 12 anos com conversas menos infantis, ajuda um pouco as vídeo chamadas com a família em Portugal, mas deixam uma saudade e vazio na mesma.

Todos os minutos que consigo conversar com pais e conhecidos na escola ajuda também, ainda para mais nesta altura que não podemo-nos juntar em casa de amigos nem eles na nossa. 

O ser humano precisa de estar com outros, mas dizendo isto também adoro a casa sossegada ao fim do dia e de estar no meu canto sem ninguém falar comigo e sem me pedir nada. Tenho a certeza que as mães ou pais a tempo inteiro vão me perceber!
“Haters” vão dizer: ah e tal não estás sozinha porque tens os teus filhos, e está certo mas, podemos nos sentir sozinhos mesmo no meio de muita gente, não é verdade? E pronto fico me por aqui que isto é um assunto que dá muito que escrever e falar e todos temos opiniões diferentes!!

Sejam felizes e não tentem ser super pais!! Somos humanos!! Feliz dia da Família!

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