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Dar à luz em Madrid: o sistema de saúde Espanhol (1)

Grávida em Madrid

Em Julho de 2018, no mês em que nos mudámos para Madrid, soube que estava grávida pela primeira vez. Logo que tive o número de segurança social, fui ao centro de saúde do meu bairro pedir o cartão de utente – “tarjeta sanitária”. Para isso, precisei de levar o papel com o número que me deram na segurança social e o “empadronamiento”, um certificado da “junta de freguesia” declarando que residia naquele bairro.

Sempre que mudarmos de casa/bairro, precisaremos de ir à junta de freguesia correspondente voltar a “empadronar-nos”, ou seja, registar-nos naquele bairro/município e fazer uma nova “tarjeta sanitária” no respetivo centro de saúde.

 A primeira surpresa agradável: em Espanha não existem taxas moderadoras. Quando pedi à funcionária do centro de saúde para agendar uma consulta com a minha médica de família, perguntei quanto custava. Respondeu-me, um pouco indignada com a questão: “Era o que mais faltava. Não paga nada. Você trabalha em Espanha, tem direito a ter saúde gratuita.”

Tive a consulta com a médica de família que me disse que dentro de uns dias iria receber uma chamada do centro de especialidades do meu “distrito” (o município de Madrid está dividido em 21 distritos, como se fossem freguesias) para agendar a primeira consulta de obstetrícia. 

O seguimento à grávida no sistema público de Madrid faz-se da seguinte maneira:

Semana de gestaçãoProva
8-10Captação (obstetra) – centro de especialidades         
10-11Análises (urina e sangue)
12-13Ecografia 1º  Trimestre
15-16Consulta “matrona” (parteira)
20Ecografia morfológica 2º  Trimestre (hospital)
24-26Análises (urina e sangue) + teste de tolerância à glicose
27-28Consulta “matrona” (parteira)
28-30Vacina tosse convulsa (centro de saúde)
33-35Ecografia 3º  Trimestre
35-36Análises (urina e sangue) + estreptococos B
36-37Consulta “matrona” (parteira)
40Consulta obstetra
40-41Monitorização fetal (hospital)

Penso que o calendário e os serviços prestados são similares aos de Portugal, mas existem algumas diferenças que me fazem achar que o sistema de saúde em Espanha tem melhores condições.

Na ecografia do primeiro trimestre, determinaram o índice de probabilidade de síndrome de down através de vários fatores: a minha idade, os resultados das análises de sangue e urina e os resultados da ecografia. Tive 1 em 300 de probabilidade, onde o alto risco é a partir de “1 em 270”. De acordo com os médicos, tinha risco intermédio e foi-me oferecida uma análise ao sangue que em Portugal custaria cerca de 500€, já que só se pode fazer pelo privado.

É um procedimento inovador, sem risco para a mulher, onde a única coisa que fazem é recolher uma amostra de sangue da grávida (como se fosse uma simples análise) e a partir daí conseguem analisar o ADN do bebé, e ver assim os vários cromossomas. Eu fiz no público e, segundo compreendi, Madrid é uma das poucas cidades em Espanha a oferecer esse teste às grávidas que apresentam risco médio/alto. Felizmente, o resultado saiu negativo e estava tudo bem com o bebé.

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