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Coronavírus na Suíça – É tempo de “Festina Lente”

A viver na Suíça há praticamente sete anos, tenho, naturalmente, acompanhado com bastante interesse todos os passos e decisões levados a cabo pelo Conselho Federal Suíço no que ao Coronavírus diz respeito.

Assim, quinta feira, dia 16 de Abril, todas as minhas atenções estavam voltadas para a conferência de imprensa do Conselho Federal, na qual iria ser comunicado o processo de levantamento/flexibilização das medidas de contenção até então aplicadas no território nacional Suíço, para fazer face à Pandemia.

Na referida Conferência de imprensa, Alain Berset, Ministro do Conselho Federal Suíço (mais concretamente Ministro do Departamento do Interior), e uma das figuras mais incontornáveis das conferências de imprensa do Conselho Federal, anunciou que o levantamento das medidas de contenção entrará em vigor em toda a Suíça a partir do próximo dia 27 de Abril, de forma faseada e progressiva, a saber:

– A partir do dia 27 de Abril deverão reabrir pequenas empresas tais como cabeleireiros, gabinetes de massagens, salões de beleza, lojas de tatuagens, floristas, lojas de bricolage, centros de jardinagem e creches. As lojas de alimentação que vendam também outro tipo de produtos para além daqueles, poderão voltar a funcionar na totalidade. Deverão de igual forma abrir consultórios médicos e os profissionais de saúde poderão novamente realizar intervenções em ambulatório, quais sejam, por exemplo, as intervenções realizadas por médicos dentistas, fisioterapeutas ou massagistas. Por seu lado, nesta fase, os hospitais poderão voltar a realizar todas as intervenções cirúrgicas não urgentes e abrir os seus serviços ambulatórios. E por fim, permite-se que as pessoas se despeçam dos seus entes queridos sem limitação de número de pessoas nos funerais;

– A partir de 11 de Maio, deverão reabrir as escolas de ensino obrigatório (dos 4 aos 16 anos de idade) e todas as lojas de comércio, assim como os mercados. (A decisão relativa a esta fase será anunciada dia 29 de Abril);

– A partir de 8 de Junho, serão abertas as instituições de ensino profissional, secundário II e universidades, locais de lazer, designadamente, museus, bibliotecas, jardins botânicos e jardins zoológicos. Não ficou claro se será também nesta fase que irão abrir bares, restaurantes e ginásios, mas a maioria da opinião entende que sim. (Quanto a esta fase a decisão será comunicada dia 27 de Maio).

De realçar que a passagem de uma fase para outra apenas acontecerá caso não haja um aumento significativo de casos de Covid-19, mormente se não houver um aumento abrupto do número de infectados, das admissões hospitalares e das mortes.

Contudo, apesar deste aligeiramento das medidas de contenção, há que ter em linha de conta que se mantêm em vigor todas as medidas impostas anteriormente pelo Conselho Federal no que concerne ao distanciamento social e cumprimento de regras de higiene e sanitárias, mantendo-se ainda, o impedimento de agrupamentos superiores a 5 pessoas (esta última medida vigorará pelo menos até dia 10 de Maio, salvaguardando o caso dos funerais).

Acresce ainda que, os estabelecimentos cuja abertura foi autorizada em cada uma das fases supra referenciadas, ficam obrigados a zelar pela sua própria proteção, mas também pela proteção dos seus trabalhadores, clientes e público, devendo elaborar e colocar em ação um plano de proteção.

Em jeito de conclusão, Alain Berset, tendo em vista justificar todo o processo de redução das medidas de contenção para fazer face ao coronavírus, e para que a população compreenda com exatidão as medidas anunciadas, atreveu-se, com algum humor, a parafrasear Augusto, Imperador e fundador do Império Romano, afirmando:

“Nous souhaitons agir aussi vite que possible, mais aussi lentement que nécessaire”.

Foi esta, aliás, a frase marcante de todo o seu discurso, que deu já origem à fabricação de T-shirts com esse mote.

Alain Berset, inspirou-se na expressão latina do Imperador Augusto, “Festina Lente” (pressa lenta ou apressa-te devagar), utilizada também pela marca de relógios fundada na Suíça “Festina” e pela sua antiga equipa de ciclismo espanhola, para explicar que perante as circunstâncias, devemos agir da maneira mais rápida possível, mas tão lenta quanto o necessário. É preciso agir rápido, mas com o esforço e sacrifício necessários para alcançar o tão desejado sucesso!

Mas, o que pensa a população sobre as medidas a implementar? Serão estas medidas precipitadas? Serão suficientes? Serão seguras? Estarão as pessoas preparadas e aliviadas com tais medidas ou estarão receosas? Até que ponto não poderão estas medidas impulsionar uma segunda vaga da Pandemia Coronavírus? Deverá a economia prevalecer sobre a saúde ou o inverso? É possível, perante o quadro atual, alcançar o equilíbrio entre economia/saúde?

Um comentário em “Coronavírus na Suíça – É tempo de “Festina Lente”

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  1. A viver algo que nunca vivemos são tantas as perguntas cuja resposta vale um milhão!
    parabéns pelo texto!

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