Manter as referências com abertura de espirito

Para nós, o principal é conseguir ter referências e sentir uma rotina no novo país.

Uma das coisas que sempre senti mais falta foi de ler em português, por isso, quando vou a Portugal trago sempre muitos livros ou peço a amigos que me visitem. A comida também pode dar saudade, especialmente o pão. Há portugueses em todo o mundo e é sempre divertido e agradável descobrir lojas que vendam produtos portugueses como Bolacha Maria ou doce de abóbora. Em desespero, cheguei a levar uma receita de papos-secos a um padeiro colombiano. Mas gostamos muito de descobrir a gastronomia local e de criar novos hábitos pois há comida deliciosa em todo o lado.

Em casa falamos as línguas da família (português e francês), mas também muito inglês por termos vivido em Inglaterra. Foi importante não deixar os nossos filhos misturar as línguas e lerem sempre muito ou verem filmes e programas em todas as línguas. E não houve nada melhor do que passar uma semana com as famílias portuguesa ou francesa para “afinar” as línguas. Sempre falei com eles em português e, quando chegavam da escola, sempre fiz questão que me contassem o dia em português e corrigia sempre os erros que pudessem ir fazendo. Na escrita, continuam a dar erros chamados de excepção como “pásaro”, “qu’alquer”, e outras aberrações. Durante as férias, fazia-lhes ditados diários simples de um parágrafo e é uma preciosa ajuda. Mas ler muito é essencial e mais tarde, o auto-corrector pode ser uma ferramenta interessante porque vão vendo os erros ortográficos a serem corrigidos. O truque é compensar com outros meios a língua que não se houve no contexto do país em que estamos.

O dia-a-dia pode trazer frustrações e surpresas, sobretudo pelas diferenças culturais, que fazem com que resolver certas situações tenha outros procedimentos e ritmos. Frequentemente, há que ter abertura de espírito, muita paciência e ter também a consciência de também sermos diferentes para os outros. Sei que quando chego a um lugar, não vou ser uma local, mas procuro gostar de viver aí. A experiência de vida e a formação humana que proporcionamos aos nossos filhos, são valores e riquezas que ficam para sempre e  espero que lhes sirvam tanto na vida pessoal como profissional.

 

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