Benvenuti in Italia

Ana Seixas

“DOLCE FAR NIENTE”

Bem-vindos a Itália, a terra do “dolce far niente”, da arquitectura que deixa sem fôlego e que nem a ciência ou a matemática conseguem explicar – em casos como o da cúpula de Brunelleschi (história para outro artigo)-, do sorriso nos lábios, do falar quase gritando, da gastronomia farinha.

O sítio onde partir a massa a meio antes de a meter na panela ou durante a refeição é sacrilégio. O  lugar onde a massa se come catolicamente com COLHER e GARFO, para que não se rompa nem um único fiozinho de “spaghetti”. Afinal estamos em ITÁLIA!

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Pasta Italiana

PORQUÊ ITÁLIA?

A moda é ir de bicicleta pela mão para todo o lado, usando-a sob conceito de “bengala disfarçada”, porque entre tantas ruas a pique, Itália representa um dos poucos contextos na vida em que estradas para baixo são motivo de felicidade e onde as subidas desafiam qualquer miocárdio.

Mas, entre todas as coisas, aquela em que os italianos são realmente um povo infalível e incomparável é na execução Operística – motivo que me trouxe a este país cálido e colorido.

Já agora, permitam-se apresentar-me: eu sou a Ana Seixas, natural do Porto, e dedico-me à Música; sou cantora lírica. Por este motivo, passei os últimos 12 anos em Itália, onde tive o privilégio de fazer os meus dois Mestrados em Música e de começar a minha carreira artística profissional como Soprano.

Itália não foi amor à primeira vista…nada disso! Itália, para mim, foi amor premonitório…começou sem motivo e antes mesmo de que lá pudesse pôr os pés. 

Já sentiram que tinham mesmo que ir para um sítio, mesmo sem saberem porquê? Essa é Itália para mim.

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DIFERENÇAS 

As diferenças que rapidamente notei nos meus primeiros dias de Itália foram o facto dos italianos tenderem todos a uma elegância física fora do comum, apesar de comerem maioritariamente hidratos de carbono, o que rapidamente se explica se pensarmos na história das ruas a pique e sua percorrenza, o facto de irem todos super bem vestidos e maquilhados (em Itália rosto água e sabão só se se estiver doente em casa).

A facilidade em encontrar um polícia que te peça para esperares quinze “minutinhos” se lhe pedires alguma indicação, porque está a tomar o seu cafezinho no bar e há que fazer as coisas com calma, o facto de ninguém se chatear se alguém chegar atrasado ao trabalho, o inconveniente dos comboios chegarem quase sempre atrasados, e a obrigatoriedade de se pagar um extra nos restaurantes pelo serviço à mesa (a minha primeira vez num restaurante foi desastrosa, porque pedi uma lasanha e só tinha os 6,50€ da mesma em dinheiro – preço anunciado no menú -, para pagar … acontece que a conta prefazia um total de 9,00€, e como eu não sabia que é regra nacional pagar o “coperto”, fiz um escândalo…UPS!).

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BELEZA CULTURAL

Poucos italianos falam bem inglês, mas o italiano é uma das línguas mais bonitas e românticas do mundo, e que mais gozo dá aprender. Quantos de vocês não se rendem à sonoridade de um simples “Buongiorno”? E a acompanhar o idioma, estão os monumentos estonteantes que se encontram a cada recanto, ou não fosse Itália o país do RENASCIMENTO. Respira-se Michelangelo, Boticelli, Caravaggio, da Vinci, e companhia Lda., no ar, nas praças, nas pessoas, nos museus. E falando em museus, deixo-vos um conselho chave: quando forem visitar algum, levem um banquinho, porque em Itália as filas não só são intermináveis como ninguém as respeita. 

Ainda assim, Itália é o lugar onde mais fui FELIZ, e mal posso esperar por vos contar todos os detalhes sobre este paraíso na terra.

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