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Aventura na República Checa (Parte1)

Desde 2011 que eu ambicionava ter uma experiência internacional. Eu seguia com grande interesse programas de TV e rádio dedicados à diáspora portuguesa. Durante o meu período de estudos, aquilo que eu mais ansiava era terminar a minha licenciatura para finalmente poder tentar a minha sorte além-fronteiras. Nunca pensei que a República Checa estivesse no meu horizonte.

Chegado o ano de 2016 eis que surge a oportunidade pela qual eu tanto ansiava – a mudança para Brno, a segunda maior cidade da República Checa. Eu na altura não sabia muito acerca do país. Tinha ouvido falar sobre a cidade apenas por causa do MotoGP de Brno. E pouco mais sabia. 

Nem tudo corre bem à primeira

A minha primeira experiência não correu tão bem como eu esperava. Encontrei trabalho numa empresa em rápida expansão, mas a minha expectativa era uma start-up dinâmica e inovadora. Ao invés, deparei-me com uma atmosfera altamente corporate. Acabei por abandonar o emprego e regressar a Portugal. Mas não por muito tempo. Passados menos de 3 meses, embarquei na minha segunda experiência internacional – desta feita na República da Irlanda. Fui participar num projecto de voluntariado europeu. 

Umas semanas antes do Natal, uma pessoa que eu tinha conhecido durante o meu tempo na República Checa veio falar comigo e disse-me que a empresa dele estava à procura de um falante nativo de português. Eu fiquei curioso e ele explicou-me mais acerca do trabalho e do que a empresa fazia. Acabei por me candidatar e consegui o emprego. O trabalho consistia em fazer traduções e apoio ao cliente e a empresa era uma pequena start-up com menos de 15 pessoas. Aquilo que me entusiasmou mais na altura foi a possibilidade de trabalhar com traduções pois, na altura, eu estava muito interessado em linguística.

Mudei-me para Brno pela segunda vez em Janeiro de 2017 e senti-me bastante feliz por entrar numa verdadeira start-up, e não numa corporação que prometia ser start-up. A equipa era pequena, a atmosfera era informal e descontraída. Até o tempo ajudava, pois nevou bastante durante as minhas primeiras semanas em Brno. Juntando tudo isto com o meu recente interesse em línguas e culturas eslavas e estava, de facto, a ter um início auspicioso.

Os meus primeiros meses em Brno foram muito interessantes. Tive de passar pelos choques culturais típicos da vida de expatriado. Eu era a única pessoa na minha empresa que não falava checo nem eslovaco. Passar o dia inteiro a ouvir as pessoas à minha volta a falarem línguas das quais eu nada entendia foi uma experiência bastante estranha. Mas, com o passar do tempo, fui me habituando e começando a entender algumas palavras.

Durante o meu primeiro ano, comecei a dedicar-me à minha actividade favorita – viajar! Viajei por vários sítios da Europa Central e de Leste e descobri inúmeras maravilhas menos conhecidas do velho continente. Tornei-me fã da cerveja checa e do vinho da Morávia, fiz caminhadas na neve, comi burek no calor abrasador dos balcãs e caminhei nas finas areias brancas do Mar Báltico.

O esforço é recompensado na cultura Checa: de Apoio ao Cliente a Quality Assurance

Quando comecei a trabalhar na startup em Brno, eles tinham acabado de lançar o seu segundo produto. Eu comecei como júnior no apoio ao cliente, atendendo os pedidos mais simples por parte dos nossos clientes. Mas depressa comecei a trabalhar com pedidos mais complexos.

Ao fim de alguns meses a trabalhar no apoio ao cliente, reparei que a maioria das questões que eu recebia diariamente era bastante repetitiva. Apercebi-me que a nossa documentação era algo escassa. Tomei, portanto, a iniciativa de escrever um esboço para um guia do utilizador. Mostrei o esboço aos meus colegas e eles ficaram agradados. Decidimos, colectivamente, publicar o Guia do Utilizador na nossa secção de ajuda. Eu fiquei com a responsabilidade de publicar o guia, uma vez que fui eu que o escrevi.

Gradualmente tornei-me escritor de conteúdos. Expandi a nossa secção de ajuda e comecei a criar artigos de marketing para o nosso blog. No final de 2017 fui, inclusivamente, convidado a colaborar, remotamente, com uma outra startup do ramo de SaaS (Software as a Service). Esta outra empresa dedicava-se ao desenvolvimento de soluções para monetização de temas e plugins da plataforma WordPress. 

Passados uns meses, acabei por decidir deixar o meu segundo emprego (o trabalho remoto) para me focar única e exclusivamente na startup de Brno. Fui promovido a Tester e tive de implementar os nossos processos de QA e a nossa infraestrutura de teste sozinho. Dediquei os meus esforços a aprender como fazer QA. esta posição era, porém, suposto ser algo a curto/médio prazo e a expectativa era que eu passasse depois para developer.    

O tempo foi passando e eu fui aprendendo cada vez mais como testar software. Entusiasmei-me ainda mais quando comecei a escrever testes automatizados. Deixei de me sentir como um aspirante a escritor de conteúdos e passei a sentir que os testes de software eram a “minha praia”. A QA afigurava-se como um fim, e não como um mero passo intermédio para me tornar developer.

QA_República Checa
A minha equipa de QA

Reviravolta e mudança de planos

No verão de 2018 eu estava a trabalhar como QA e a perspectiva era a de me tornar developer num espaço de alguns meses. Mas, como tinha desenvolvido um grande interesse pelo trabalho de QA, já não tinha interesse em tornar-me developer. Decidi que precisava de um novo projecto. Procurei uma organização que me oferecesse melhores condições para crescer como QA. Senti também a necessidade de trabalhar com colegas mais seniores com quem pudesse aprender.

Para além de procurar um projecto numa nova organização, o meu desejo era mudar de sítio. Eu ansiava por um novo começo, num ambiente completamente diferente. Tinha estado a viver em Brno havia já um ano e meio e necessitava de algo novo. A minha ideia era mudar-me para mais perto do mar – o mar Báltico. E então começou a minha busca pela “terra báltica prometida”

O meu destino preferido era Gdańsk. Anteriormente conhecida como Danzig esta era, talvez, a cidade mais chique da Polónia. Combinava um charme arquitectónico único com uma linha costeira divinal. A outra cidade polaca na qual eu estava interessado era Wrocław. Apesar de se situar longe do mar, Wrocław impressionou-me com a sua arquitectura sublime e atmosfera suis generis.  

Para além de Gdańsk, a minha “Bucket List Báltica” incluía também Riga (a capital da Letónia) e Tallinn (a capital da Estónia). Eu considerava Riga como a pérola do Báltico, e Tallinn como que me parecia uma espécie de “Brno do Norte”.  Esta analogia deve-se a algumas semelhanças paisagísticas e uma atmosfera igualmente acolhedora.  

Para minha desilusão, a procura de emprego no Báltico não gerou os frutos que eu esperava. As empresas, ou exigiam demasiada experiência, o trabalhavam com tecnologias muito legacy com as quais eu não estava habituado a trabalhar. Mas um dia, de repente, houve uma reviravolta inesperada!

To be continued em Aventura na República Checa (Parte 2)

NOTA: Este artigo é uma tradução. O artigo original pode ser lido aqui.

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