A experiência de estudar no estrangeiro

Alexandre Monteiro

Há uns meses atrás, escrevi um artigo sobre a minha inscrição no mestrado na Polónia. Eis que agora, terminado o ano lectivo, é tempo para fazer uma retrospecção da minha experiência de estudar no estrangeiro.

Gostaria de, neste artigo, falar um pouco daquilo que foi a minha experiência como estudante de mestrado na Polónia e comparar com a minha experiência estudantil quando estava em Portugal. 

O meu percurso académico em Portugal 

Terminei o secundário em 2009, na área de Ciências e Tecnologias. Nesse mesmo ano entrei em Engenharia Física e Tecnológica no Instituto Superior Técnico. Entretanto, no meu segundo ano de curso, decidi mudar de área e acabei por deixar a engenharia para trás e ir estudar Farmácia na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL).

O sonho de estudar (e investigar) no estrangeiro

Depois de 4 anos de muito esforço, terminei a minha licenciatura em 2015. Candidatei-me para uma bolsa de estágio Erasmus+ (antigo programa Leonardo Da Vinci) no Instituto Nencki em Varsóvia, onde planeava dar início à minha carreira científica mas, infelizmente, não consegui bolsa, pelo que o meu plano foi “por água abaixo”. 

No entanto, inspirado pelas diversas histórias de sucesso de investigadores portugueses pelo mundo (um desses portugueses foi o meu supervisor do trabalho de licenciatura) mantive a ambição de um dia vir a estudar e fazer investigação “fora de portas”. 

Uma oportunidade inesperada

Entretanto, acabei por sair do país e fazer carreira no mundo do IT, e a ideia de prosseguir estudos e enveredar pela investigação acabou por ficar um pouco “na gaveta”. Até que, em finais de Junho de 2021, estava já eu a viver em Gdańsk, um amigo meu me falou de um mestrado em inglês, subsidiado pela União Europeia. Tratava-se do Mestrado em Ciência Cognitiva, na Universidade de Varsóvia. 

Decidi então candidatar-me e depois de passar no exame de admissão na  2a fase e de superar o desafio de apostila, consegui inscrever-me e reentrar no mundo académico, passados 6 anos. 

Primeiras impressões

Os meus primeiros momentos foram excitantes. Senti-me como se estivesse numa aventura. Depois de anos fora da academia, voltei a sentar-me numa sala de aula e, pela primeira vez, numa aula lecionada na língua inglesa. 

Uma das primeiras impressões que tive foi que o ambiente é um pouco menos formal do que em Portugal, mas isso talvez seja pelo facto de falarmos em inglês e o idioma não ser a língua materna de nenhum de nós. 

A outra impressão que tive é que o programa de estudos era extremamente flexível, com imensas disciplinas optativas e com duas vias de especialização: a via computacional e a via neurocognitiva. Talvez seja algo específico deste mestrado, mas a verdade é que em Portugal eu não tive nem de longe nem de perto tamanha flexibilidade em definir o meu programa de estudos, pois este já estava definido desde o início.  

Principais diferenças

Para além da flexibilidade acima referida, outra diferença que notei ao longo deste ano foi a aposta forte na avaliação contínua, o que permitiu ter uma época de exames bem menos recheada, um aspecto que me agradou particularmente. 

A experiência de estudar no estrangeiro

Outro aspecto que me agradou bastante foi o espírito de camaradagem entre os colegas. Não senti qualquer tipo de competição entre os colegas e toda a gente se demonstrou bastante aberta a partilhar apontamentos. Além disso, sempre que havia alguma dúvida relacionada com aspectos mais organizacionais, os colegas estavam sempre prontos a ajudar e aconselhar.

Apesar de o meu programa de estudos ser um mestrado internacional, a maioria dos alunos eram polacos. No entanto, nunca me senti posto de parte. A comunicação entre nós era sempre feita em inglês, pois os colegas tinham o cuidado de não nos fazer sentir excluídos das conversações.

Uma diferença que me agradou bem menos foi o facto de a maioria das aulas ser de presença obrigatória. Em Portugal a liberdade das “baldas” era muito maior….  😂

Outra grande diferença que verifiquei foi que, ao contrário dos mestrados em Portugal, a tese de mestrado começa a ser preparada no segundo semestre do primeiro ano e a expectativa é que ela seja escrita em concomitância com outras cadeiras, ao passo que em Portugal, a tese se faz só no último semestre que, geralmente, é dedicado à tese, havendo só uma ou duas cadeiras (costumam ser cadeiras leves de seminário).      

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Perspectivas para o futuro

Agora que terminei o primeiro ano e já apresentei a minha proposta de tese (que foi aprovada) vou começar a fazer trabalho de laboratório e a escrever a tese propriamente dita. 

O meu segundo ano vai ser um ano com uma forte componente de investigação e espero, daqui a um ano, entregar a minha tese e concluir o meu mestrado. 

Entretanto se tudo correr bem, pode ser que consiga ter algum artigo científico sob o meu nome e oxalá este mestrado me abra as portas para voos mais altos no mundo científico e académico. 

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