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A energia de conhecer

No princípio é uma lua de mel.

A energia necessária para enfrentar mais uma mudança torna-nos ativas, alertas, disponíveis com mil e um braços para acudir a tudo o que é necessário. Inscrevemo-nos em tudo o que é atividades ao nosso alcance e vamos a todas as reuniões ou coffee mornings organizados pela escola.

A partir do momento em que a cama tem lençóis e já sabemos onde é o supermercado o resto da arrumação da casa vai-se fazendo porque a prioridade agora é socializar, conhecer gente, fazer amizades, sem ser muito esquisita, encontrar aquela pessoa com quem vais poder contar nos próximos curtos anos.

Uma das vantagens das escolas internacionais é que estamos todos no mesmo barco. O barco onde todos chegámos de outro país, não falamos a língua do país actual, não conhecemos absolutamente ninguém, não temos pediatra ou dentista ou onde cortar o cabelo.

Muitas vezes  ainda estamos em completa desordem mental de tanta novidade com que lidamos no dia a dia mas todos estamos à procura de formar o nosso círculo de amigos e conhecidos. A natureza humana a precisar do toque, da empatia, das pessoas.

E assim se vai conhecendo gente. Muita gente. De todas as nacionalidades, religiões, raças, idades, culturas, pessoas que saíram do seu país pela primeira vez ou autênticos veteranos disto. E estamos todos cientes que precisamos de encontrar alguém. Mas sem parecer muito desesperado, a um ritmo suave no meio do turbilhão da adaptação a tudo.

Com os anos adquiri uma  facilidade enorme em me apresentar e meter conversa. Com toda a gente. Mas principalmente quando vejo e sinto que alguém acabou de chegar e se encontra completamente só quando grupos de “velhos” amigos se encontram em plena cavaqueira saudável.

O chitchat ocasional é para mim tão fácil onde as perguntas e respostas rondam sempre à volta de “where are you from” “you have kids in the school?” “how long you’re staying here?”.

Não existe Drs ou engenheiros, fulanos CEO ou títulos quanto a mim completamente absurdos. Lembro-me uma vez num evento da Embaixada Portuguesa em Roma que sem fazer ideia de quem eram as pessoas fui-me apresentado para fazer conversa e conhecer outros conterrâneos daquela cidade mágica. Lembro-me também que achei aquele convívio muito pouco para os emigrantes em Roma mas mais para as personalidades ditas VIP’s que vieram de Portugal.

3 comentários em “A energia de conhecer

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  1. Eu sou testemunha do convívio na embaixada Portuguesa em Roma. Que facilidade em fazer conversa, para mim uma inspiração ( porque não sou nada assim), Brava ! 😘😘

  2. Saltitando de país em país com um grande poder de adaptação tirando partido de tudo, superando dificuldades é já uma veterana destas andanças. Apesar de estar longe a Joana está sempre presente, sempre perto de todos nós. Qual será o próximo país onde irá começar novo capitulo como veterana ?

  3. Como sempre muito interessante. Retrata duma maneira simples, não simplória, as dificuldades que se encontra aquando a chegada a um sítio desconhecido, as capacidades exploratória e empáticas. És tu!
    E agora qual o salto?

    Um beijo.

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